Exportações do BR crescem acima da média
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra As exportações brasileiras cresceram a um ritmo duas vezes mais rápido que a média mundial, em termos de valor, nos primeiros oito meses do ano. A avaliação é da Organização Mundial do Comércio (OMC), que divulgou ontem relatório em que prevê que o aumento dos fluxos de bens no mundo ficará abaixo do esperado em 2003 e atingirá apenas 3%.
Segundo a OMC, as exportações mundiais entre janeiro e agosto tiveram um aumento em dólares de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. No caso do Brasil, as exportações cresceram em mais de 25% nesse mesmo período. Somente no primeiro semestre, o aumento teria sido de 32% no Brasil, contra 15% registrado na média mundial, em termos de valores.
Para Michael Finger, um dos principais autores do relatório da OMC, o aumento nas exportações brasileiras ocorre diante do bom desempenho dos preços internacionais das commodities. Além disso, Finger destaca que o País tem buscado conquistar mercados, como o da China, o que estaria dando resultados positivos para a balança comercial.
Apesar de registrar um aumento em termos de valor, a OMC alerta que, em termos de volume, o desempenho internacional do comércio está sendo decepcionante em 2003. O fluxo de bens conseguirá ter um aumento equivalente ao do ano passado, que já era baixo.
Para diretor da entidade, Supachai Panitchpakdi, ''a quase estagnação do comércio no primeiro semestre aponta a necessidade de que os governos voltem à mesa de negociação'' depois da fracassada reunião de Cancún, em setembro, que deveria ter apontado caminhos para a remoção de barreiras comerciais no mundo.
O fraco desempenho do comércio no primeiro semestre desfez as esperanças de que os fluxos pudessem voltar a crescer de forma rápida, como nos anos 90. Em 2003, o desempenho ainda frágil das economias ricas, em particular na Europa, as instabilidades geradas pela guerra no Iraque e o surgimento de uma epidemia de pneumonia atípica na região mais competitiva do mundo, a Ásia, acabaram prejudicando os planos de recuperação. Nem mesmo a recuperação da economia americana, nos últimos meses, ajudará na retomada do comércio em 2003, já que os contratos entre fornecedores e compradores são feitos com meses de antecedência.
A OMC reconhece que a taxa de crescimento do comércio em 2002 e 2003 é apenas metade do que era registrado em média durante a década de 90. Naqueles anos, o comércio crescia cerca de 6,7% a cada ano e atingiu seu auge em 2000, quando o aumento foi de 12%.


