Exportações do agronegócio paranaense retraem 4,8%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de maio de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
As exportações paranaenses sofreram decréscimo de 10% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2012. Entre janeiro e março, o valor fechou em US$ 3,44 bilhões, contra US$ 3,84 bilhões no ano anterior. As importações também retraíram, caindo de US$ 4,64 bilhões para US$ 4,42 bilhões, uma queda de 4,7%. O saldo negativo da balança comercial, portanto, saltou de US$ 800 milhões do ano passado para US$ 980 milhões em 2013, aumento de 23%.
Em relação ao agronegócio, a exportação paranaense ficou na contramão do País neste primeiro trimestre. Enquanto o Brasil apresentou aumento de 5,9% no envio de produtos para o exterior, saltando de US$ 19,41 bilhões para US$ 20,57 bilhões, no Estado as exportações caíram de US$ 2,66 bilhões para US$ 2,53 bilhões, um declínio de 4,85%. Os produtos do agronegócio representam 74% das exportações totais paranaenses e 12% das exportações do agronegócio brasileiro. O Estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo e Mato Grosso. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
De acordo com a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozzi, o quadro econômico mundial explica esta queda nas importações de outros países. "Só para a União Europeia, um dos principais compradores do Estado, a queda no pedido de produtos foi de 14% neste primeiro trimestre. Já em relação à importação, a alta do dólar acabou influenciando as compras", avaliou a economista, que produziu um estudo com a compilação destes dados.
O complexo soja, que neste trimestre representou 34% das exportações do agronegócio paranaense, sofreu queda de 20%. A receita caiu de US$ 1 bilhão no ano passado para US$ 863 milhões em 2013. Segundo o assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Robson Maffioletti, a queda é pontual e justificada por três fatores. "A safra foi muito boa, mas estávamos sem estoque para a indústria do País, que em alguns casos pagou mais pelo complexo soja do que o exterior. Além disso, os portos focaram no embarque de milho, algo que nunca havia acontecido. Outro fator foi o alto índice de chuvas, que interrompiam o trabalho nos portos", analisa ele.
De fato, as exportações de milho geraram uma receita de US$ 275 milhões e volume embarcado de 968 mil toneladas. O valor aponta um incremento na receita de 120% em comparativo aos US$ 125 milhões de 2012. "No caso do milho, a possibilidade de oferta recorde norte-americana, somada à produção brasileira do milho safrinha, poderá gerar problemas futuros no escoamento para o mercado externo", salienta a economista da Faep, Gilda Bozzi.
De qualquer forma, a estimativa é de que as exportações do agronegócio paranaense retomem os patamares regulares já no segundo semestre. "Já devemos ter uma revertida neste segundo trimestre, pelo menos ficando no zero a zero. Depois, certamente voltaremos a crescer. Em relação à logística dos portos, a única solução a curto prazo é que pare de chover e a produção possa ser escoada", complementa Robson Maffioletti, da Ocepar. Diferentemente dos períodos anteriores, desta vez o MDIC não divulgou os números referentes apenas à exportação das cooperativas.



