Exportações de veículos têm retração de 45% no ano
A recessão argentina é apontada como motivo da queda e afeta a produção da indústria automotiva do Paraná
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de maio de 2019
A recessão argentina é apontada como motivo da queda e afeta a produção da indústria automotiva do Paraná
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

A exportação de veículos, em unidades, caiu 52,3% em abril ante igual mês do ano passado, mostra balanço divulgado nesta terça-feira (8), pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Foram 34,9 mil unidades vendidas ao exterior no mês passado, em soma que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
O volume, se comparado a março, representa queda de 10,5%. No acumulado do ano, as montadoras instaladas no Brasil venderam para outros países 139,5 mil veículos, retração de 45% em comparação a igual período do ano passado.
O principal motivo para o tombo é a crise da Argentina, historicamente o principal destino das exportações brasileiras de veículos. A crise que começou no segundo semestre do ano passado, e deve continuar em 2020, de acordo José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), também impacta o segmento de veículos, que registrou queda de 77% nas exportações, e outros produtos manufaturados.
A situação da Argentina afeta diretamente o Brasil. Em 2017, o Brasil exportou US$ 17,6 bilhões para a Argentina em manufaturados. Em 2018, caiu para US$ 14,95 bilhões, e, em 2019, não deve ultrapassar os US$ 10 bi. “Cada US$ 1 bilhão representa 50 mil empregos diretos. Isso significa que, por causa da crise argentina, o Brasil deixou de gerar mais de 350 mil empregos diretos”, afirmou Castro.
Acredita-se em queda no volume de exportação de produtos manufaturados para os vizinhos em 2019, principalmente, por causa da medida adotada recentemente pela Argentina de aumentar a taxação sobre as importações, que subiu de 0,5% para 2,5%.
Hoje, 72% das exportações de veículos brasileiros são para a Argentina e as vendas externas de manufaturados estão concentradas na América do Sul. “O custo Brasil impede a nossa competitividade na América do Sul”, disse o presidente da AEB.
Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, as montadoras vêm buscando outros parceiros comerciais para escoar a produção que era vendida no país vizinho.
“Muitas montadoras estão tentando compensar com outros países; então mais para frente, a gente vai ter uma visão mais clara se essas ações da indústria automobilística vão compensar, parcialmente pelo menos, a queda brusca da Argentina”, ressaltou sobre as negociações feitas com países do Oriente Médio e a África do Sul.
INDÚSTRIA PARANANESE
A crise dos hermanos impacta diretamente a indústria automotiva e de autopeças paranaenses. Os vizinhos são o principal parceiro comercial do Estado neste setor. De acordo com o gerente-executivo de Assuntos Internacionais da Fiep (Federação das Indústrias do Estado Paraná), Reinaldo Tockus, caso a situação se prolongue, a indústria pode fechar postos de trabalho.
“Não se descarta demissões. Isso pode vir a acontecer se a crise perdurar. A indústria deixa isso como última opção”, afirmou Tockus. Segundo ele, antes de reduzir o quadro de funcionários, a indústria deve adotar medidas como a redução de turnos, mas a crise pode impactar na produção industrial do Estado.
Tockus afirma que a mentoria que a Argentina vem recebendo do FMI (Fundo Monetário Internacional) traz um alento ao mercado externo. “Existem regras que precisam ser cumpridas e isso coloca certa freio em uma eventual piora da crise”, analisa.
CONCORRÊNCIA MEXICANA
Os carros mexicanos podem passar a competir com a produção brasileira, segundo avaliação da Anfavea. Desde março, passou a vigorar o livre comércio para veículos automotivos leves, sem cobranças de taxas, entre o Brasil e o México.
“Eles têm uma vantagem competitiva relevante. Com o livre comércio, eles podem ter uma vantagem em relação à produção local”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade.
Um estudo encomendado pela Anfavea à consultoria PwC mostrou que um carro mexicano pode ser vendido no Brasil com um valor menor do que um produzido aqui. Segundo relatório da consultoria, os veículos fabricados no México custam quase 18% menos do que os feitos no Brasil.
Assim, mesmo com os custos de importação, pode ser mais barato um carro mexicano do que um veículo nacional semelhante. Entre os gastos que criam a diferença dos custos de produção estão as despesas com material e os custos burocráticos e tributários. (Com Agências)


