Paulo WolfgangParada difícilCoimbra, ontem, em Londrina: queixa formal à OMC contra discriminação tarifáriaAs exportações de café solúvel caíram 62% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Sérgio Coimbra, de janeiro a março de 97, o País exportou 24,4 mil toneladas. Neste ano, foram exportados 9,1 mil toneladas no mesmo período.
Entre janeiro e março do ano passado, a Cia Cacique de Café Solúvel, principal exportadora, vendeu 5 mil toneladas - contra as 1,5 mil toneladas embarcadas no primeiro trimestre deste ano. Sérgio Coimbra, que também é diretor presidente da Cacique, explica que a ‘‘crise conjuntural’’ do setor está relacionada com a crise asiática, que acabou barateando o preço da matéria-prima usada pelos concorrentes internacionais. O café robusta produzido na Indonésia e Vietnã custa metade do valor do café conilon utilizado pelas indústrias brasileiras.
Segundo Coimbra, a solução para a crise seria o drawback (importação de matéria-prima e exportação do produto acabado). O setor tentou negociar com o governo a liberação da operação no início do ano passado. Mas para não afetar sua receita com o drawback, o governo resolveu promover 11 leilões, vendendo 70 mil sacas de café de seus estoques em cada um - o equivalente a 30% do volume exportado pelo Brasil. O estoque oficial do governo é de cerca de 15 milhões de sacas. ‘‘Mas já estamos no 7º leilão e o problema não foi resolvido. Atualmente, o setor tem exportado justamente estes 30% que compra nos leilões’’, diz Coimbra.
A Abics pretende voltar a discutir o drawback com o governo o mais rápido possível. ‘‘Seria a solução definitiva para alavancar as exportações’’, entende Coimbra. Uma segunda alternativa seria aumentar o número de leilões e a quantidade de café comercializada nos mesmos, segundo ele.
Outro fator desfavorável às exportações de café solúvel é a discriminação tarifária sofrida pelo País. ‘‘A taxação do produto brasileiro na União Européia é de 10,1%. As exportações de países como Colômbia e Equador são isentas. Estes países conseguiram o benefício alegando que usariam este dinheiro para o combate do narcotráfico. Só que até hoje não provaram que isto está ocorrendo’’, diz Coimbra. A Abics contratou ontem um escritório de economia para preparar um estudo que será apresentado numa reclamação formal perante a Organização Mundial do Comércio (OMC). ‘‘O estudo dará suporte à defesa brasileira’’, diz Coimbra, que espera resolver a questão ainda neste ano.

mockup