Exportações de frutas ganham espaço
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Arquivo FolhaPrevisão otimistaUva nacional deverá ser exportada em plena safra, o que deve garantir melhores preços para os produtores O aquecimento surpreendente das importações de frutas logo após a implantação do Plano Real está cedendo espaço para as exportações. Ou seja, as mesmas empresas importadoras que se instalaram no País atraídas pela explosão de mercado agora estão se voltando para a exportação de frutas nacionais e estão farejando o potencial de produção de frutas com qualidade em todas as regiões do País. Essa acomodação está ocorrendo em função da redução de consumo em relação a 1994, que foi considerado um ano atípico de consumo.
Esse é o caso da importadora Samar, de proprietários brasileiros, mas radicada nos Estados Unidos. A empresa passou a operar no Brasil basicamente com importação de maçã e pera dos EUA e agora está diversificando suas atividades e pretende exportar frutas tropicais para o mercado asiático. Só com importações, a empresa está movimentando o equivalente a US$ 20 milhões por ano.
Para viabilizar as importações de maçã e pera depois da euforia de consumo patrocinada pelo plano de estabilização econômica, a empresa farejou nichos de mercado para incrementar seus negócios. Segundo um dos proprietários da Samar, Edson Martini, a empresa identificou que existe uma janela entre outubro e dezembro que permite a entrada de frutas americanas, basicamente maçã e pera. No restante do ano o consumo é suprido pela produção nacional e importações de frutas da Argentina e Chile, e as frutas dos EUA perdem a competitividade, explicou.
A Samar é responsável pela importação de 50% das frutas provenientes dos EUA e pretende trazer esse ano entre 400 e 500 caixas de maçã e pera. As frutas começam a entrar no país a partir de Outubro. No entanto esse volume é bastante reduzido em comparação com as importações ocorridas em 1994, quando a empresa importou 1,8 milhão de caixas dos Estados Unidos, que correspondia a 4% das exportações americanas.
Martini justificou que esse ano a produção de maçã brasileira e argentina foi muito grande, sendo que foram colocadas no mercado cerca de 900 mil caixas entre maçã e pera. Mesmo assim as importações americanas deverão representar entre 50% e 60% dos produtos colocados no mercado durante o período de safra.
A empresa também está trazendo dos Estados Unidos as frutas de caroço e uva, colocadas no mercado entre maio e junho, quando não tem essas espécies por aqui. Também com essas frutas, as previsões de consumo estão sendo frustradas, sendo que esse ano foram importados somente 20% do que estava previsto. Segundo Martini, foram importados 50 contêineres com cerca de 1.500 caixas cada, que totalizam entre 80 mil a 90 mil caixas de 10 quilos entre pêssego, ameixa e nectarina. Com uva americana, foram importados mais 120 contêineres, com 1.600 caixas cada um.
Exportações Aproveitando o potencial de consumo dos países asiáticos, conhecimento adquirido quando operava basicamente nos EUA, a Samar instalou um packing house em Aguaí (SP) onde montou sua estrutura de recebimento, classificação e padronização de frutas. O objetivo é incrementar a exportação de frutas tropicais que têm boa receptividade nesses mercados desde que produzidas com qualidade, ressaltou Martini. Os primeiros contratos já foram firmados. A empresa está embarcando para a Ásia 80 contêineres de tangerina morikote e já conseguiu uma carta de crédito para exportar mais 30 contêineres.
Para reunir a produção necessária para cumprir os contratos de exportação, a empresa está firmando joint ventures com os produtores, onde eles atendem as exigências de qualidade na produção e são compensados com a participação nos lucros. Além da tangerina, a empresa está fazendo contatos para exportação de maçã e uva nacional, sendo que esses produtos serão retirados do país em pleno pique de safra o que vai ajudar a enxugar a oferta e manter preços favoráveis ao produtor.
Martini adverte que para participar desse mercado é preciso investir em tecnologia. Ele reconhece que é difícil trabalhar com frutas, mas o manejo correto dos pomares é a única forma de garantir mercado lá fora. O empresário destacou que atualmente existe um bom potencial para exportação de maçã, tangerina morikote, uva e mamão papaya. Posteriormente a empresa pretende exportar figo e caqui.


