São Paulo - As exportações de carne de frango proporcionaram uma receita cambial de US$ 569,8 milhões no primeiro trimestre, informou ontem a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef). O resultado é 45,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Em volume, as exportações atingiram 537,3 mil toneladas, um aumento de 9,3%. O preço médio FOB da tonelada exportada atingiu US$ 1.043 nesse período, um preço historicamente alto. Em relação ao primeiro trimestre de 2003, o valor é 34,5% maior. Só em março os embarques de frango somaram 184 mil toneladas, rendendo US$ 201,2 milhões. Em volume, houve aumento de 12,5% sobre o mesmo mês de 2003. Em receita, o aumento foi de 58,6%.
Os números da Abef mostram que a receita cambial cresceu muito mais do que o volume embarcado. ''As vendas de cortes de frango, de preço mais elevado, estão crescendo muito mais do que as vendas de frango inteiro'', explicou o presidente da associação, Júlio Cardoso. As vendas de cortes somaram 300,7 mil toneladas de janeiro a março, alta de 11,10% sobre o mesmo período de 2003. Já as vendas de frango inteiro subiram 5,68%, ficando em 225,3 mil toneladas.
Em receita cambial, as exportações de cortes cresceram 57,88%, atingindo US$ 350,15 milhões. Já o faturamento com vendas de frango inteiro cresceu 28,80%, atingindo US$ 193,64 milhões. Apenas em março, os embarques de cortes somaram 104,4 mil toneladas e renderam US$ 130,14 milhões. Em volume, houve alta de 9,86% e em receita, de 57,88%. Já as vendas de frango inteiro somaram 80,16 mil toneladas e renderam US$ 71,14 milhões em março. A alta em volume foi de 16,23% e em receita, de 40,43%.
''Os números só não são mais robustos em março por causa da greve dos fiscais veterinários do Ministério da Agricultura'', afirmou Cardoso. ''A greve paralisou os embarques por uma semana e reduziu em 45 mil toneladas o resultado'', calcula. O presidente da Abef afirma, contudo, que esses embarques devem ser transferidos para o segundo trimestre do ano. ''A situação gerou problemas com clientes que trabalhavam com estoques curtos, mas a questão foi superada'', observou. Cardoso afirmou que o forte desempenho no primeiro trimestre resultou principalmente do crescimento das vendas para o Japão.
A Abef está mantendo o mesmo cenário de exportações projetado no início do ano. ''Acreditamos que 2004 fechará com aumento de 10% nos embarques e de até 20% no faturamento'', disse. Em 2003, as exportações atingiram 1,958 milhão de toneladas, com receita de US$ 1,796 bilhão, um aumento de 28% sobre o ano anterior. O resultado foi ainda mais positivo nos últimos 12 meses: de abril de 2003 a março de 2004, o Brasil exportou 2,013 milhões de toneladas, com receita cambial de US$ 1,996 bilhão. ''Sem a greve dos fiscais, teríamos atingido o número de US$ 2 bilhões'', disse.

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