Exportações de frango devem manter aumento
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Renato Stancato<br>Agência Estado 
São Paulo - Os números de janeiro mostram que as exportações de frango brasileiras devem continuar crescendo. A avaliação é do secretário Executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Cláudio Martins. O Brasil embarcou 187 mil toneladas mês passado, gerando receita cambial de US$ 199 milhões. Em volume, houve um aumento de 16,6% sobre o total embarcado em janeiro de 2004. Já em receita cambial, o crescimento foi de 20,53%.
''O mais importante de tudo é que a receita cambial voltou a crescer mais do que o volume'', afirma Martins. Segundo ele, o setor continua ampliando mercados, ao mesmo tempo em que se vale da qualificação de produtor de carne de frango de qualidade.
''Enquanto exportadores tradicionais como a China, a Coréia e até os EUA tiveram problemas sanitários, o Brasil mantém a imagem de excelência sanitária'', diz.
Além de Japão e Arábia Saudita, os principais destinos da carne brasileira, Martins destaca o desempenho das vendas para a Venezuela. ''Este mercado foi aberto no ano passado, e já é o sexto maior comprador do Brasil'', destaca. Em janeiro, os venezuelanos compraram 8.777 toneladas, com receita de US$ 7,3 milhões.
''A resolução do problema com a Rússia também é uma vitória para o setor'', diz o secretário executivo da Abef. Alegando que um foco de febre aftosa no rebanho bovino do Amazonas poria em risco as exportações de todos os tipos de carne brasileira, a Rússia barrou a entrada do produto brasileiro em 22 de setembro. A partir de novembro, a exportação de frango foi liberada somente para Santa Catarina, mas somente no último dia 7, as exportações dos demais estados produtores foram liberadas para a Rússia.
A solução da crise sanitária também reabriu canal de negociação para o Brasil aumentar seu acesso ao mercado russo, diz Martins. Desde o ano passado, aquele país impõe quotas de importação de carne por origem. Como resultado, o Brasil é preterido em favo r de ''fornecedores tradicionais''. Em 2004, a Rússia decidiu importar 1,050 milhão de toneladas, e destinou grandes volumes aos EUA, União Européia e China. Ao Brasil, coube disputar uma quota reduzida de 68 mil toneladas destinada a ''outros países''.
''Agora que a entrada da Rússia na OMC está sendo negociada, há espaço para reverter este cenário'', diz o secretário executivo da Abef.
A abertura do mercado da China é outro horizonte aberto para as exportações brasileiras, segundo Martins. O Brasil deve liberar logo uma lista de firmas habilitadas a exportar para aquele país. Ironicamente, Hong Kong, mercado tradicionalmente importante para o Brasil, teve um desempenho negativo em janeiro. Os embarques caíram 34,6% para 10.910 toneladas. Em receita cambial, a queda foi de 32% para US$ 8,6 milhões. Segundo Martins, parte do frango embarcado para Hong Kong era depois redirecionado para a China. Por isso, é possível que a abertura da China continental tenha reduzido a demanda. ''Mas acho mais provável que a queda tenha ocorrido apenas por causa da comemoração do ano novo chinês'', diz.
O Brasil espera começar a exportar carne de frango para os Estados Unidos já no segundo semestre de 2005. A projeção é do secretário executivo da Abef, Cláudio Martins. A tentativa de abrir um comércio bilateral do produto entre os dois países é um velho projeto da indústria brasileira. Atualmente, Brasil e EUA são respectivamente primeiro e segundo maiores exportadores mundiais. Apesar disso, a Abef acredita que os dois mercados têm complementaridades.
''Acreditamos que é possível começar a embarcar carne de frango cozida para os EUA até o final do ano'', diz. ''No caso da carne in natura, o processo é muito mais demorado, deve levar cerca de 20 meses'', diz. Por enquanto, as negociações estão sendo realizadas pelos governos dos dois países.
''O Ministério da Agricultura recebeu um longo questionário para responder'', diz. ''Em seguida, o governo americano deverá pedir o preenchimento de determinados requisitos, será feita uma análise de riscos e visitas a estabecimentos brasileiros''. O processo se encerra quando são habilitados os frigoríficos que farão as exportações. ''O mesmo processo está correndo para a carne dos EUA'', informa Martins.


