As exportações de carne de frango cresceram 37% de janeiro a março deste ano e foram puxadas por um aumento ainda maior por parte da Europa: 167%, totalizando mais de 54 mil toneladas (US$ 91 milhões), segundo dados da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (Abef).
A produção nacional, só no primeiro bimestre deste ano chegaram a 1,1 milhão de toneladas. O Paraná lidera a produção nacional e foi responsável por 18,64% do total produzido em 2000 (5,975 milhões de toneladas), com previsão de chegar a 20% a participação produtiva até o final deste ano.
O crescimento das vendas para a Europa se deve principalmente aos problemas sanitários naquele continente. Com o mal da vaca louca e a febre aftosa os consumidores colocaram em dúvida a qualidade das carnes européias e passaram a importar fortemente o produto brasileiro.
‘‘Nunca as turbulências sanitárias na Europa foram tão favoráveis ao País e pelas condições atuais de mercado, o setor avalia que os próximos três anos serão promissores para a avicultura, com crescimento na produção nacional de até 5%. Para regularizar a oferta e demanda de produção nesse período, devemos manter uma média nacional de 27,5 milhões de matrizes’’, avaliou o presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz, em entrevista dias atrás. O consumo interno de carne de frango para 2001, segundo dados da União Brasileira de Avicultura (UBA), está estimado em 31 kg/per capita; na década de 70 esse valor era de 2,3 kg/per capita.
Ele também ressaltou a vocação agrícola do País, que apresenta uma série de condições climáticas e de solo favoráveis ao desenvolvimento de atividades agropecuárias. ‘‘Não podemos esquecer que o subsolo europeu está contaminado e o governo estabelece o limite de 40 mil t de adubo por hectare, devido ao excesso de insumos no solo. No Brasil não temos isso – o nosso solo é fertil, produtivo e jovem’’, disse Muniz.
Outro aspecto ressaltado por Muniz, é a ausência de uma política de desenvolvimento agroindustrial. ‘‘Acho lamentável ver tantos caminhões na estrada transportando grãos que poderiam ser utilizado na alimentação de animais, sendo que as carnes poderiam ser exportadas com um valor muito superior aos praticados com os grãos. Mas isso só seria possível se houvesse uma política mais eficiente de incentivo à produção de carnes.’’
No Paraná, 31 empresas fazem parte da região integradora de avicultura de corte que consome 40% da área de milho plantado no Estado (680 mil ha). Essas empresas proporcionam mais de 40 mil empregos diretos e 550 mil postos indiretos de trabalho.

mockup