Apesar de ser o maior produtor mundial de feijão, o Brasil não é o maior exportador da leguminosa. O País perde mercado para China, Estados Unidos, Canadá e Argentina porque não produz as variedades de maior aceitação do mercado internacional. É uma questão cultural entre os agricultores que ainda têm o hábito de cultivar as variedades mais consumidas no mercado interno: carioca e preto. E isso ainda faz com que os brasileiros importem 100 mil toneladas de feijão branco e preto da Argentina e dos Estados Unidos para atender toda a demanda interna.
O assunto foi discutido ontem durante a 8 Reunião Sul-Brasileira de Feijão, realizada no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Participaram do encontro cerca de 100 técnicos de órgãos públicos e privados de toda a região Sul do País. Um dos temas abordados foi o cultivo de variedades mais aceitas no mercado externo, que são o branco, vermelho e rajado, de grãos grandes e achatados. Essas variedades podem surgir como alternativa para os agricultores em meio à crise do meio rural e das oscilações bruscas de preços. A favor dos brasileiros estão a alta produtividade, abundância de terras e água, logística e três safras anuais.
Na avaliação de Amando Pichel, diretor do Instituto Brasileiro do Feijão (Inbrafe) e da Notamil Alimentos, esse plantio não ocorre por desconhecimento dos agricultores e falta de direcionamento de políticas. Segundo a coordenadora do evento, Vânia Moda Cirino, pesquisadora do Iapar na área de melhoramento e genética de plantas, o feijão branco é bastante valorizado, inclusive, no mercado interno. A saca de 60 quilos chega a custar o dobro da saca de feijão carioca. Cerca de 80% do plantio de feijão no Paraná é feito por pequenos e médios produtores.
O Brasil tem uma área plantada de 4 milhões de hectares, que produzem 3 milhões de toneladas. O Paraná é responsável por 22% do total produzido no País, com 700 mil toneladas. ''Os grandes (agricultores) preferem as commodities, mas o feijão está com uma rentabilidade maior'', afirma Vânia. Segundo ela, a saca de 60 quilos está sendo comercializada por R$ 60, com baixos custos de produção se utilizadas tecnologia e variedades adequadas para a região.
Aumento - Os bons preços alcançados do feijão podem começar a cair no final do ano. Isso pode ocorrer porque há uma projeção de aumento de, pelo menos, 5% na área plantada no Paraná na safra das águas. Mesmo com as importações da leguminosas, o aumento da produção certamente irá refletir nos preços uma vez que o produto estrangeiro tem custo menor do que o brasileiro. Para enfrentar esse quadro, a saída sugerida é diversificar a produção entre as variedades carioca, preto e branco.
Além disso, o cultivo do feijão pode ser alternado com a produção de soja, milho ou algodão. ''A leguminosa tem um ciclo curto e também irá garantir uma renda extra ao produtor'', argumenta Marco Antônio Lollato, pesquisador da área de tecnologia e produção de sementes do Iapar. O único porém é que o consumo do feijão vêm caindo no mercado interno. Na avaliação de Amando Pichel isso está ocorrendo devido às variações bruscas de preços. ''É um item da cesta básica, mas temos produtos mais baratos como o frango e o macarrão'', comenta.
Atualmente, o consumo per capita varia entre 17 e 18 quilos, mas chegou a 23 quilos há 25 anos. Segundo ele, nos Estados Unidos e na Europa o consumo da leguminosa está aumentando devido à essa estabilidade de preços e ao incentivo ao consumo. Os EUA, por exemplo, estão desenvolvendo uma campanha pelo aumento da ingestão de proteínas vegetais, em detrimento das proteínas animais.

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