São Paulo As exportações de carne suína atingiram 60.046 toneladas em abril, o maior volume da história. A informação foi divulgada ontem por Pedro de Camargo Neto, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Suínos (Abipecs). ''O Brasil nunca tinha ultrapassado a barreira das 60 mil toneladas por mês'', disse. Em receita cambial, as exportações do mês atingiram US$ 115,8 milhões.
O desempenho foi muito superior ao de abril de 2004. Em volume, as exportações cresceram 45% e em receita, 106,5%. Segundo Camargo Neto, o recorde se deve a dois fatores: o aquecimento do mercado internacional para carne suína e a um pequeno represamento dos embarques de março. ''Os problemas sanitários de outros países estão sendo bem aproveitados pelo Brasil'', afirma. ''Além disso, houve transferência de embarques de março para abril por causa de problemas burocráticos nas vendas para a Rússia.''
No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações atingiram 182.102 toneladas, aumento de 36,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita cambial, as vendas foram de US$ 342,7 milhões, alta de 95%. O aquecimento do mercado também se reflete nos preços médios da exportação. A tonelada FOB embarcada pelo Brasil rendeu US$ 1.930,00 em média, contra US$ 1.882,00 no primeiro quadrimestre de 2004.
Câmbio Apesar de comemorar o resultado das exportações do quadrimestre, Camargo Neto criticou a apreciação do real frente ao dólar. Segundo ele, a valorização excessiva da moeda brasileira está corroendo os ganhos do setor e deverá adiar investimentos em expansão da produção. ''Para este ano, o planejamento de produção e exportação já foi feito e deverá ser cumprido'', afirmou. ''A produção de suínos foi determinada pelo alojamento de matrizes do ano passado.'' Segundo Camargo Neto, os preços atuais poderão ter efeito na produção futura.
Para 2005, a Abipecs prevê que a produção de suínos vai atingir 2,767 milhões de toneladas, um aumento de 3,31% sobre 2004. Em número de cabeças, deverá haver um aumento de 2,78%. O número de abates deve atingir 34,86 milhões, contra 33,92 milhões em 2004. A produção de suínos do ano é definida pelos alojamentos de matrizes de outubro a março e, portanto, a estimativa é bastante próxima do número final.
Apesar de não afetar a produção, a desvalorização do dólar já começa a causar fricções na cadeia produtiva, segundo o presidente-executivo da Abipecs. ''Os produtores de suínos começam a reclamar dos preços pagos pela indústria, que caíram por causa da queda da renda do setor.'' Levantamento de preços mostra que o quilo do suíno vivo em Chapecó (SC), um dos pólos da indústria, recuou 22,85% no primeiro quadrimestre: de R$ 2,80 no dia 2 de janeiro para R$ 2,16 em 29 de abril.

mockup