O consultor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Milton Dallari, esteve ontem em Cascavel participando de um debate com pecuaristas da região sobre a nova realidade do comércio de carne bovina e o gerenciamento das propriedades, com ênfase na comercialização do produto final no mercado interno e externo. O encontro aconteceu na sede do Sindicato Rural Patronal de Cascavel.

Segundo Dallari, dentro de quatro ou cinco anos, o Brasil deverá praticamente dobrar o volume de exportações de carne bovina. Das cerca de 550 mil toneladas no ano 2000, o país deverá chegar a aproximadamente 1 milhão de toneladas nos próximos cinco anos. Entretanto, o consultor acredita que para ocorrer esse avanço é necessário uma maior estruturação do setor pecuário.

Dallari demonstrou uma certa preocupação em relação às indústrias frigoríficas que estão aptas a exportarem carnes. Ele explicou que atualmente existem no Brasil 750 frigoríficos, porém somente 32 estão preparadas e autorizadas para efetuarem exportações. ''No Paraná existem apenas duas dessas indústrias em condições. Nosso Estado tem hoje 9,5 milhões de cabeças e tem tecnologia e condições ideais para a bovinocultura de corte. Então temos que transformar o Paraná num nicho de mercado'', justifica.

O consultor disse ainda que, em função da condição do Paraná de área livre da febre aftosa com vacinação, o maior mercado externo a ser explorado é da União Européia, onde o Brasil concentra atualmente 61% de suas exportações de carne bovina. Ele ressalta que isso acontece porque a União Européia aceita carne de regiões e países que se encontram nessa situação. ''Já para os Estados Unidos, conseguimos colocar apenas 14% da carne que exportamos'', observa.

Para o presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti, o debate entre os pecuaristas e o consultor da Faep é mais um passo para a modernização e o aprimoramento da bovinocultura de corte. Segundo ele, um dos maiores avanços dos pecuaristas paranaenses foi a recenta aprovação da Lei Brandão, que reduziu o ICMS dos produtos do agronegócio carne. ''Estamos conseguindo avanços e esta mobilização dos pecuaristas demonstra a união da classe'', conclui.

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