Os recordes registrados nas exportações brasileiras de carne no primeiro trimestre do ano não devem se repetir nos próximos meses. A opinião é de Alcides Torres, analista de mercado da Scot Consultoria, em Bebedouro (SP). Segundo ele, as expressivas vendas dos três primeiros meses do ano foram incentivadas pela Guerra do Iraque.
Como os principais compradores do produto nacional estão no Oriente Médio, houve uma antecipação de compras por medo de um possível fechamento de portos. Com o fim da guerra, haverá retração no volume negociado até os estoques se equlibrarem. ''A situação deve voltar ao normal depois de junho'', disse.
Outro fator que pode interferir nas exportações brasileiras é a valorização do real frente ao dólar. Com a moeda nacional cotada a US$ 3,00, a arroba do boi paranaense, que custa R$ 54,00, passa a valer U$ 17,7. No início do ano, a arroba valia R$ 57,00 mas custava mais barato em dólar: US$ 15,3. Com isso, a carne brasileira deve ficar mais cara para o mercado externo.
Para Gustavo Fanaya, economista do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), a competitividade da carne bovina no mercado externo se mantém a despeito da desvalorização da moeda americana. Segundo ele, o produto continuará competitivo mesmo se a cotação chegar a R$ 2,80.
O que pode haver, esclareceu, é uma renegociação de preços pautada pela nova realidade. Quando o dólar estava alto, os exportadores brasileiros eram bem remunerados em real e, por isso, ofereceram descontos aos importadores. Com os novos valores das moedas, a tendência é voltar aos preços anteriores.
No mercado interno, a conjuntura pode derrubar o preço do boi gordo, que já acumula desvalorização de R$ 3,00 por arroba desde janeiro. De acordo com Torres, os frigoríficos vendem a idéia de que a redução nas exportações diminuirá a demanda. Por outro lado, como o período de seca se aproxima, é possível que os pecuaristas aumentem a oferta de bois terminados. ''A queda é conjuntural e normal para esta época'', avaliou.
Em janeiro e fevereiro de 2003, o País exportou 202 mil toneladas de equivalente carcaça que renderam U$ 215,5 milhões. Os números de março ainda não foram fechados, mas o índice de exportação de carne in natura aponta a comercialização 70,2 mil toneldas de equivalente carcaça, o que corresponde a US$ 82 milhões. ''A Scot trabalha com a expectativa das exportações brasileiras atingirem US$ 320 milhões no primeiro trimestre, considerando também as vendas de carne enlatada'', analisou Torres. No mesmo período do ano passado, as vendas ao mercado externo totalizaram US$ 259 milhões.

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