Exportações de carne bovina batem recorde
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Jane Miklasevicius<br> Agência Estado 
São Paulo As exportações de carne bovina registraram recorde em novembro. Segundo números divulgados ontem pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as vendas representaram receita de US$ 161,238 milhões, 64,14% a mais que em novembro de 2002, tendo sido embarcadas 128.045 toneladas equivalente carcaça, volume 26,08% superior ao mesmo mês do ano anterior.
Do volume embarcado, 84.568 toneladas equivalente carcaça foram de carne bovina in natura e 43.478 toneladas equivalente carcaça em produto industrializado. A receita com exportação de carne in natura atingiu em novembro US$ 126,863 milhões (80,39% a mais em relação ano novembro de 2002) e com carne industrializada, US$ 34,375 milhões (23,19% a mais). No acumulado do ano (janeiro a novembro), as exportações de carne bovina somam 1.238.885 toneladas, sendo 828.778 de carne in natura e 410.108 toneladas de carne industrializada. A receita soma US$ 1.355.609 nos 11 meses.
Segundo o presidente da Abiec, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, os números de novembro mostram que a meta do setor, de fechar o ano com exportações de 1,3 milhão de toneladas e US$ 1,5 bilhão em receita, deve ser cumprida com facilidade.
A continuidade, em 2004, do bom desempenho das exportações dependerá da abertura de mercados. Pratini de Moraes lembrou que o Brasil já exporta para 104 países, que, juntos, compõem 50% do mercado mundial de carne bovina. ''A outra metade é formada pelos Estados Unidos e pelo Sudeste Asiático, cujos mercados continuam fechados para o Brasil'', disse.
Pratini mostrou-se cético quanto à possível abertura do mercado americano para a carne brasileira in natura no próximo ano, lembrando que haverá eleição nos Estados Unidos, o que deve dificultar qualquer decisão sobre esse assunto. Para ele, a possibilidade maior é de que o mercado americano só se abra para o Brasil em 2005. Para 2004, Pratini disse que o setor exportador aposta num crescimento das vendas de carne industrializada, de maior valor agregado, que hoje representam menos de 30% do volume total das exportações de carne.
A União Européia, principal comprador brasileiro de carne bovina, continuará sendo o foco da indústria no próximo ano. Segundo Pratini, na região a demanda pelo produto voltou ao nível de antes da ocorrência da vaca louca e a tendência, com a recuperação econômica, é de que as importações de carne, principalmente de países emergentes como os do Leste Europeu, ganhem força no ano que vem.
Hoje, o Brasil é o principal exportador de carne bovina do mundo, liderança que vem mantendo nos últimos três meses. O segundo colocado é a Austrália, que, admite Pratini, pode voltar a superar o Brasil em 2004. ''Mas não estamos preocupados em sermos os campeões de exportação em volume. Queremos cada vez mais exportar carne com maior valor agregado'', enfatizou.


