São Paulo As exportações de carne bovina registraram recorde em novembro. Segundo números divulgados ontem pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as vendas representaram receita de US$ 161,238 milhões, 64,14% a mais que em novembro de 2002, tendo sido embarcadas 128.045 toneladas equivalente carcaça, volume 26,08% superior ao mesmo mês do ano anterior.
Do volume embarcado, 84.568 toneladas equivalente carcaça foram de carne bovina in natura e 43.478 toneladas equivalente carcaça em produto industrializado. A receita com exportação de carne in natura atingiu em novembro US$ 126,863 milhões (80,39% a mais em relação ano novembro de 2002) e com carne industrializada, US$ 34,375 milhões (23,19% a mais). No acumulado do ano (janeiro a novembro), as exportações de carne bovina somam 1.238.885 toneladas, sendo 828.778 de carne in natura e 410.108 toneladas de carne industrializada. A receita soma US$ 1.355.609 nos 11 meses.
Segundo o presidente da Abiec, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, os números de novembro mostram que a meta do setor, de fechar o ano com exportações de 1,3 milhão de toneladas e US$ 1,5 bilhão em receita, deve ser cumprida com facilidade.
A continuidade, em 2004, do bom desempenho das exportações dependerá da abertura de mercados. Pratini de Moraes lembrou que o Brasil já exporta para 104 países, que, juntos, compõem 50% do mercado mundial de carne bovina. ''A outra metade é formada pelos Estados Unidos e pelo Sudeste Asiático, cujos mercados continuam fechados para o Brasil'', disse.
Pratini mostrou-se cético quanto à possível abertura do mercado americano para a carne brasileira in natura no próximo ano, lembrando que haverá eleição nos Estados Unidos, o que deve dificultar qualquer decisão sobre esse assunto. Para ele, a possibilidade maior é de que o mercado americano só se abra para o Brasil em 2005. Para 2004, Pratini disse que o setor exportador aposta num crescimento das vendas de carne industrializada, de maior valor agregado, que hoje representam menos de 30% do volume total das exportações de carne.
A União Européia, principal comprador brasileiro de carne bovina, continuará sendo o foco da indústria no próximo ano. Segundo Pratini, na região a demanda pelo produto voltou ao nível de antes da ocorrência da vaca louca e a tendência, com a recuperação econômica, é de que as importações de carne, principalmente de países emergentes como os do Leste Europeu, ganhem força no ano que vem.
Hoje, o Brasil é o principal exportador de carne bovina do mundo, liderança que vem mantendo nos últimos três meses. O segundo colocado é a Austrália, que, admite Pratini, pode voltar a superar o Brasil em 2004. ''Mas não estamos preocupados em sermos os campeões de exportação em volume. Queremos cada vez mais exportar carne com maior valor agregado'', enfatizou.

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