Curitiba - Está atracado no Porto de Paranaguá o navio ''Bow Pride'', de bandeira grega, que vai levar 34 milhões de litros de álcool para a Índia, operação que consolida a entrada de um novo produto na pauta de exportações do Paraná. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento estima que este ano a exportação de álcool está dobrando, passando de 90 milhões de litros para 200 milhões de litros, o que deverá gerar uma receita de US$ 45 milhões.
Novos mercados estão se abrindo para a exportação do álcool, o que está obrigando as usinas a reverem suas programações de exportação. No ano passado, as 27 usinas e destilarias paranaenses exportaram o equivalente a 7% da produção de álcool e este ano a expectativa é exportar 11% da produção que deve ser de 1,1 bilhão de litros este ano, volume inferior à produção do ano passado que foi de 1,22 bilhão de litros. A previsão das usinas é dobrar a produção de álcool até 2006 para atender a demanda do mercado externo.
Os usineiros devem investir juntos um total de R$ 1,16 bilhão no aumento da área plantada com cana de açúcar e na expansão e modernização das indústrias. Desse total, R$ 655 milhões serão investidos na área rural e R$ 510 milhões na área indústrial. Com isso, devem ser criados 16 mil novos empregos, sendo 13,5 mil postos na área rural e 2,5 mil vagas na indústria.
Mais importante que a receita que será obtida este ano, o aumento das exportações representa a exploração de um mercado promissor que está estimulando oportunidades de investimentos e criação de novos empregos no Estado, depois do boom das exportações de soja e carnes. Para sustentar o crescimento das exportações de álcool, o plantio de cana de açúcar está se expandindo em regiões de pastagens depauperadas como no extremo noroeste, sem provocar conflitos ou disputa de área com a produção de grãos, que tem alavancado a riqueza do Estado.
O Paraná tem contribuído com as exportações de álcool da região centro-sul do Brasil, que este ano já embarcou 1,42 bilhão de litros de álcool. Até o final do ano, a previsão dos usineiros da região centro-sul é exportar entre 1,3 bilhão a 1,4 bilhão de litros de álcool, informou Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação Produtores de Álcool do Paraná (Alcopar).
De acordo com Silva Dias, com a alta acentuada dos preços do petróleo este ano muitos países aceleraram seus projetos de substituição de combustível fóssil utilizado como aditivo para produtos derivados da biomassa. Nesse quadro, o álcool se destaca como energia renovável e menos poluente, além de ser mais barato. Países como Japão e da Comunidade Européia estão comprovando a eficiência do álcool como aditivo no combustível além de não ser poluente, e por isso estão aumentando as encomendas do combustível.
Os Estados Unidos também estão se revelando um importante importador de álcool do Brasil, via Caribe para evitar a taxação do produto, disse Silva Dias. O país produz álcool combustível derivado do milho, mas o custo de produção é três vezes mais alto que o custo do álcool brasileiro. A Índia está importando álcool pela primeira do Brasil este ano em decorrência da quebra de safra de álcool daquele país.

mockup