São Paulo As exportações da América Latina e do Caribe no ano passado cresceram entre 0,6% e 0,8%, devido ao aumento dos volumes, que, em alguns casos, compensou a persistente queda dos preços da maioria dos produtos, diz um informe da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal). Ainda de acordo com a Cepal, as importações da região nesse período diminuíram cerca de 9%, em relação às registradas em 2001.
''Após uma longa contração, a recuperação das exportações tornou-se visível a partir do terceiro trimestre do ano'', informa o organismo das Nações Unidas em seu boletim anual ''Panorama da Inserção Internacional da América latina e o Caribe 2001/2002'', divulgado ontem, em Santiago do Chile. De acordo com a Cepal, a retração do comércio de mercadorias no biênio 2001-2002 se deve à soma de vários fatores. Entre eles, à desaceleração econômica dos principais mercados importadores, à queda dos preços dos produtos básicos e das manufaturas e aos problemas de algumas economias latino-americanas.
A Cepal estima que 11 dos 18 países da América Latina registraram menores valores em suas exportações, seis dos quais sofreram redução, tanto em valores unitários, quanto em volume. ''Chile, Colômbia, Guatemala, Nicarágua, República Dominicana e Uruguai acumularam perdas pelo segundo ano consecutivo'', informa o relatório. ''Apesar da queda dos preços dos produtos, o Brasil e o Peru foram os únicos que tiveram uma alta das exportações no biênio 2001-2002''. Ainda de acordo com a Cepal, as exportações de bens da maioria dos países da região entre 2001 e 2002 com destino aos Estados Unidos, União Européia e Japão sofreram considerável contração. Em contrapartida, os países asiáticos em desenvolvimento transformaram-se em mercados emergentes dinâmicos: o Chile, o México, os países do Mercosul e os do Mercado Comum Centro-americano conseguiram melhorar nesses mercados a suas posições.
Em 2002, os países latino-americanos acumularam um superávit no comércio de bens de mais de US$ 24 bilhões, devido aos excedentes comerciais da Argentina, do Brasil e da Venezuela (excluindo o resultado de dezembro). Na América do Sul, a situação superavitária da Argentina, do Brasil, do Chile, da Colômbia, do Paraguai, do Peru e da Venezuela diverge dos déficits registrados no Equador, Bolívia e Uruguai. Em alguns países da América Central (Costa Rica, Guatemala e Panamá) e no Caribe o saldo negativo no comércio de bens aumentou, embora tenha registrado uma pequena queda no México.
''A queda abrupta das importações, provocada pelas medidas de ajuste adotadas para fazer frente à diminuição de recursos externos, gerou uma espiral contorcionista em quase todos os países, sendo um dos reflexos mais importantes a retração do comércio intra-regional, principalmente no Mercosul'', acrescenta o informe. Segundo a Cepal, o volume e o valor importado mostraram uma contração de 7,9% e 8,9%, respectivamente, em 2002, depois de uma redução de 2,4% no valor importado em 2001, com um leve crescimento no volume.

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