Rio de Janeiro - A quantidade de empresas brasileiras que vendem para a China e o valor destas exportações cresceram 11 vezes mais rápido desde 1999 do que o total do comércio exterior brasileiro. Na mão inversa, as compras nacionais feitas no mercado chinês avançaram 150%. Apesar do desempenho bilateral, o Brasil deve se apressar e negociar acordos com os chineses que protejam suas exportações contra eventuais medidas protecionistas do parceiro no futuro. Estes são alguns dos dados e conclusões de um estudo que a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) acaba de concluir e que será divulgado nas próximas semanas. O levantamento constata que o número de empresas com vendas para a China saltou de 486 em 1999 para 1.184 ano passado, um aumento de 143%. O total de exportadoras, no geral, cresceu 12%. Já o valor vendido para lá cresceu 570% - a exportação brasileira toda cresceu 50%.
O que não mudou foi o perfil da pauta brasileira para lá. Cinco setores - extrativa mineral, siderurgia, agropecuária, celulose e óleos vegetais - representam acima de 70% das vendas, com apenas um ou dois produtos. A questão é que no mundo todo produtos agrícolas são alvo de medidas de proteção. ''Não há risco visível neste momento, mas com a diversificação na venda de outros produtos agrícolas medidas de proteção podem começar a aparecer'', diz o economista da Funcex, Fernando Ribeiro.
O próprio economista reconhece que nenhum dos dois países ganharia nada, hoje, impondo barreiras. ''Mas isso não significa que não possa vir a acontecer no futuro'', argumenta Ribeiro. No estudo, o economista da Funcex defende ''a importância de maior aproximação comercial e diplomática entre os dois países e da eventual negociação de acordos comerciais que possam prevenir a adoção de medidas protecionistas''.

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