No ano passado, as exportações da indústria paranaense caíram 2,2% e as importações de produtos manufaturados cresceram 50% no Estado. Os números da Federação das Indústrisa do Estado do Paraná (Fiep) ilustram o cenário preocupante para a economia, resultante da apreciação do real perante o dólar. O câmbio vem tirando o sossego de muitos empresários brasileiros e as medidas tomadas pelo governo federal para tentar conter a queda da moeda norte-americana, que fechou ontem a R$ 1,58, ainda não surtiram efeito.
''Não fosse o mercado interno, que segue bastante aquecido, a indústria estaria numa situação muito ruim'', afirma o economista da Federação, Roberto Zurcher. Além da queda nas vendas para o exterior, outro fator que preocupa a entidade é a participação dos produtos industrializados na balança comercial paranaense. ''Em 2006, 57% das nossas exportações eram de produtos industrializados. Este índice caiu para 43% em 2010. Ou seja, estamos exportando mais produtos básicos e comprando mais manufaturados.''
Por meio de medidas como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros e para compras no exterior, o governo federal tenta conter a enxurrada de dólares que invade o País e puxa o câmbio para baixo. Os juros brasileiros, considerados dos mais altos no mundo (11,75%), são o principal chamariz para quem investe no Brasil. Uma medida eficaz para derrubar o real seria o corte na Selic, mas o governo teme, com isso, perder totalmente o controle sobre a inflação.
Zurcher afirma que o Brasil precisa encontrar alguma forma de tornar seus produtos mais competitivos. Mas admite que o governo está diante de uma equação difícil de resolver. E acrescenta outro complicador. ''Como hoje dependemos de muitas mercadorias que vêm do exterior, qualquer alteração no câmbio, no sentido de desvalorizar o real, pode ter impacto sobre a inflação, já que os produtos importados ficariam mais caros.''
Alexandre Farina, diretor executivo da Terra Roxa Investimento, de Londrina, concorda que a equação é complicada. ''O câmbio é resultante de uma combinação de variáveis. O governo vem tomando medidas como a taxação do capital externo e a compra de dólares pelo Banco Central. Mas, conforme os grandes bancos de investimentos percebem o esforço do governo nesse sentido, eles elevam o rating (nota de risco) do País, o que acaba tornando o Brasil ainda mais atrativo'', afirma Farina, que é administrador em comércio exterior. Segundo ele, cabe ao empresariado buscar uma política de inovação que aumente sua produtividade.
Para Álvaro Luiz Scheffer, presidente da Águia Florestal, empresa com sede em Ponta Grossa, há ''falta de lógica'' na política do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Ele diz que não faz sentido manter juros tão elevados, sendo que o próprio governo é o maior captador de recursos. ''É suicídio. A solução seria baixar juros e o governo parar de gastar tanto.''
Scheffer afirma que o dólar baixo afeta ''as cadeias produtivas que geram grande volume de emprego'' e que medidas como o aumento do IOF são apenas paleativas. ''Só a redução dos juros pode resolver o problema'', alega. Segundo ele, se o dólar continuar neste patamar, o Brasil vai retomar o fantasma do desemprego. ''Além disso, se a situação cambial melhorar no futuro, nós teremos muita dificuldade de retomar os mercados internacionais que estamos perdendo'', alerta.

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