Exportações caem 0,8% em julho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Brasília 
Apesar de ter contabilizado um superávit de US$ 108 milhões, a balança comercial de julho foi marcada pela queda de 0,8% nas exportações, principalmente de produtos industrializados. Trata-se do primeiro recuo mensal verificado no ano.
O resultado impressionou o governo, que já vinha percebendo a perda de fôlego dos embarques desde abril, a ponto de o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, declarar que está cada vez mais difícil alcançar a meta oficial de aumento de 20% nas vendas em 2001.
Conforme os dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o saldo acumulado no ano é positivo em apenas US$ 38 milhões. As exportações mantêm uma taxa de crescimento no ano de apenas 8,8%. O comércio mundial deverá crescer cerca de 3% neste ano. Se fecharmos 2001 com uma elevação de 8% nos embarques, já seria mais que o dobro da média mundial, argumentou Giannetti. Mas ainda precisamos de um aumento de 15% a 20% para cumprir uma meta maior, de crescimento sustentável da economia brasileira.
Os números indicaram que as exportações de julho somaram US$ 4,965 bilhões. Somente os embarques de manufatura responderam por US$ 2,736 bilhões, o que significa queda de 4,5%, em comparação com julho de 2000. Esse conjunto de produtos havia se tornado o carro-chefe dos embarques brasileiros desde meados de 1999.
Mesmo no conjunto de produtos básicos o desempenho manteve-se aquém das expectativas. Os embarques somaram US$ 1,490 bilhão, com aumento de 15,5%. A frustração deveu-se ao principal item da pauta agrícola brasileira, a soja em grãos, que apresentou queda de 4,2% em julho.
Segundo Lytha Spíndola, secretária da Secex, essa redução deveu-se ao atraso nos embarques provocados pelas chuvas no Sul do País e também à queda de 9,3% nos preços internacionais do produto, em relação a julho de 2000.
Compras As importações igualmente preocupam o governo, pelo fato de refletirem a queda na atividade econômica do País. Em julho, somaram US$ 4,857 bilhões, o que representa queda de 0,6%. No ano, totalizam US$ 33,854 bilhões, com elevação mais acentuada que as das exportações, de 11,9%. Segundo Giannetti, os dados são preocupantes porque indicam o atual grau de desaquecimento da atividade econômica do País.
Quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) quer dar uma diretriz para a área externa de um país recomenda fabricar o saldo positivo na balança por meio da recessão, afirmou. Não é isso que queremos. Trabalhamos para gerar superávit com crescimento econômico, ou seja, com aumento também das importações.


