As exportações de carne bateram recorde em volume no ano passado, ao atingir 1,639 milhão de toneladas (t), 10% a mais do que os 1,485 milhão de 2017, segundo levantamento da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) em dados do MDIC (nos dados fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). O teto anterior havia sido em 2014, com 1,560 milhão, e foi batido pela abertura de novos mercados, por problemas enfrentados em outros países e apesar de operações policiais que atrapalharam negócios no exterior, como a Carne Fraca e a Trapaça.

Os principais China e a cidade-estado do país asiático Hong Kong, que aumentaram em 26% a demanda sobre 2017 e levaram 43,8% de toda a carne bovina embarcada no Brasil. Outros destaques são o Egito, que ampliou em 18% a importação e ficou com 11% do total. As maiores variações, contudo, foram do Chile, que comprou 77% a mais, e do Uruguai, que saltou 202%, de acordo com a Abrafrigo.

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Antônio Jorge Camardelli, afirma que o resultado atesta a qualidade do produto nacional. "Nos permite cumprir as mais exigentes regras internacionais com uma carne de qualidade e competitiva", diz, em nota.

Por outro lado, a receita deixou um pouco a desejar. Foram US$ 6,5 bilhões obtidos em 2018, 8% a mais do que em 2017, mas ainda abaixo dos históricos US$ 7,2 bilhões de 2014. Professor de economia UFPR (Universidade Federal do Paraná) e FAE, Eugenio Stefanelo diz que houve uma maior oferta do produto brasileiro para o exterior, na tentativa de evitar perdas causadas pelo baixo consumo interno no ano. Ele cita também que o mercado norte-americano ainda se recupera de uma seca em anos anteriores, o que ajudou. "A receita e o volume aumentaram [sobre 2017] fundamentalmente porque a carne bovina brasileira é muito competitiva, por ser alimentada com pasto e um pouco de suplementação, além de ter tido um ganho de qualidade alto."

No campo paranaense, Stefanelo conta que os preços oscilaram durante o ano, mas começaram e terminaram praticamente no mesmo patamar, de R$ 150 por arroba. O diretor de Pecuária da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Ricardo Rezende, considera que esse valor exige esforço do criador para ter lucro. "No Paraná, a vantagem é que o valor pago é maior do que em outros Estados", ressalta.

Mesmo assim, o diretor da SRP lembra que os valores pagos por arroba em 2018 foram até menores do que nos dois anos anteriores. "Quem fez uma gestão pesada de custos, conseguiu um pouco de lucro, mas quem não conseguiu acabou com uma margem apertada ou sem lucro", diz Rezende.

Stefanelo concorda com a necessidade de profissionalização na atividade. "Aquela pecuária tradicional, na qual se deixava o gado no pasto para ganhar peso durante o período de chuvas e perder na seca acabou. Hoje a pecuária perde espaço e ganha produtividade por hectare, com maior lotação, melhor manejo e redução da idade de abate", explica.

Apesar de ser apenas o décimo Estado em exportações de carne bovina, o Paraná teve ganhos percentuais superiores aos nacionais. O volume foi de 28,4 mil em 2017 para 31,9 mil t em 2018, alta de 12%. Em receita, passou de US$ 106 milhões para US$ 123,3 milhões, ou 16% a mais, conforme a Abrafrigo. Os números são tímidos perto dos embarques de 399,5 mil t a partir de São Paulo e de 301,5 mil do Mato Grosso.

PERSPECTIVAS
O diretor de Pecuária da SRP ainda é reticente sobre a expectativa para a atividade em 2019. "Vai depender muito da situação econômica do País, que passa por como os novos governos federal e estadual vão trabalhar para que o consumidor tenha mais dinheiro no bolso", diz, ao citar que a demanda interna do País tem maior potencial para valorizar a arroba do que as exportações.

Para Stefanelo, a abertura de novos mercados ao longo de 2018 devem engordar os ganhos dos criadores. A abertura de Irã e Arábia Saudita para bovinos vivos, além da recuperação do mercado da Rússia, são alguns dos destaques no setor, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). "Ainda não será um ano de grande recuperação no mercado interno, mas a pecuária é uma boa alternativa pelo que podemos ganhar em exportações", diz o economista.

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