Exportações ainda têm espaço para crescer
O Brasil tem um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, detém 15% do mercado mundial e se consolidou como o maior exportador. No entanto, ainda há muito espaço para crescer, principalmente, entre os mercados mais exigentes. ''Em nove anos o Brasil aumentou em dez vezes a produção para a exportação. E isso gerou renda, emprego e saldo para a balança comercial'', disse Otávio Cançado, da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec). Segundo ele, 25% da produção nacional é destinada ao mercado externo.
No entanto, os problemas sanitários contribuíram para a redução do negócio, devido à queda de preços. O mesmo não aconteceu, por exemplo, com os Estados Unidos, uma vez que aquele país já conseguiu recuperar o mercado atingido também devido à incidência do mal da vaca louca. Apesar disso, as exportações vem crescendo. Em janeiro, por exemplo, as exportações foram 25% menores do que no mesmo mês do ano passado; no entanto, em março a diferença foi de 10% e a tendência é que esta diferença seja reduzida sistematicamente.
''Não tivemos uma crise de demanda, mas de crédito. E o Brasil demora para socorrer o setor produtivo'', comentou Cançado. Um dos diretores do Grupo JBS Friboi, Antônio Camardelli, sugeriu a criação de uma certificação entre países do Mercosul. Ele lembrou ainda que o Brasil não vende para 43% do mercado que paga mais pela carne.
Diversificação
Para o consultor Osler Desouzart, da OD Consulting, o que falta para o mercado da carne bovina é a diversificação. Enquanto a cadeia das aves tem uma infinidade de produtos industrializados variados, a carne bovina não apresenta muitas variações. ''A proteína predileta da população é a carne bovina, mas a proteína de aves está mais acessível, é fácil de comprar'', observou. Ele lembrou que a crise existe e que deve durar até setembro do próximo ano. No entanto, até 2050 a avaliação é que a demanda vai crescer mais do que o crescimento vegetativo mundial. (F.M.)





