)‘Exportação não
é quebra-galho’,
afirma Mendonça
de BarrosO BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deverá desembolsar US$ 2,5 bilhões em financiamento às exportações este ano, disse ontem o secretário da Camex (Câmara de Comércio Exterior), José Roberto Mendonça de Barros. Em 97, o BNDES liberou US$ 1,18 bilhão para as exportações. A projeção se concretizará, explicou Mendonça de Barros, se for mantido o atual ritmo de financiamento. O banco já desembolsou, até março, US$ 547 milhões. ‘‘US$ 2,5 bilhões é dinheiro que não acaba mais, metade do que faz o Eximbank americano (agente financeiro de comércio exterior nos EUA)’’, disse.
O secretário disse que a meta já traçada pelo governo de reduzir à metade o déficit da balança comercial (quando importações superam as exportações) até o fim do ano poderá ser atingida se forem mantidas três condições básicas.
A primeira: crescimento de 2% do PIB (Produto Interno Bruto, que mede a riqueza gerada no país). Outra: um desempenho modesto das importações, de, no máximo, 2%. E, finalmente, um crescimento de 10% para as exportações. Barros informou que, até março, as exportações já tinham se expandido 11,6% nos últimos doze meses, enquanto o comércio internacional cresceu 3% em 97. ‘‘Pela primeira vez em muitos anos, estamos crescendo muito acima do mercado internacional, o que não acontecia antes. Isso torna factível a meta de reduzir o déficit.’’
Ele também está otimista quanto à outra meta do governo, anunciada no fim do ano passado, de dobrar as exportações brasileiras até 2002, chegando a US$ 100 bilhões.
Segundo Barros, alguns fatores contribuem a favor desse desafio. As taxas de lucro no mercado interno já se reduziram; a exigência do consumidor brasileiro melhorou o padrão dos produtos feitos aqui; e a integração da América Latina surge como uma opção ‘‘menos assustadora para quem nunca exportou’’.
Barros ressaltou que é preciso otimizar os instrumentos criados de incentivo à exportação, porque são eles que vão permitir a entrada de mais empresas no comércio exterior, hoje concentrado em 300 companhias. ‘‘Temos que ter milhares de empresas.’’
Ele disse ainda que é preciso trabalhar a mentalidade do empresário para a exportação, que não poderia ser vista como um ‘‘quebra-galho para quando o mercado interno estiver fraco’’. ‘‘A estabilização vai virar crescimento sustentado pelo vigor do nosso sistema produtivo, que enfrentou pancadas e se mostrou ágil’’.

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