Arquivo FolhaPerda sobre perdaMendonça de Barros apresentou ontem o resultado de julho: 14º déficit consecutivo, agora de US$ 811 milhõesAs exportações brasileiras estabeleceram um novo recorde no mês passado, com vendas ao mercado externo de US$ 5,238 bilhões, mas todo esse desempenho foi anulado por um volume também sem precedentes de importações, que totalizaram US$ 6,049 bilhões. O resultado final do comércio do País com o exterior foi um déficit de US$ 811 milhões, o décimo quarto consecutivo.
Confirmando as estimativas do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, as exportações apresentaram um significativo crescimento em julho, da ordem de 17,47% em relação ao mesmo mês do ano passado, mas o aumento das importações foi ainda maior. As compras no mercado externo no mês passado cresceram 26,20% quando comparadas com os US$ 4,793 bilhões importados em julho de 1996.
O resultado da balança comercial do mês passado elevou para US$ 5,537 bilhões o déficit acumulado nos primeiros sete meses deste ano, praticamente igual ao rombo de US$ 5,539 bilhões de todo o ano passado. No período de 12 meses terminado em julho, o saldo negativo das transações comerciais do País com seus parceiros do mercado externo já soma US$ 10,441 bilhões.
A quinta semana de julho foi decisiva para o resultado da balança comercial. No período de 28 a 31 do mês passado, as importações totalizaram US$ 1,204 bilhão, com uma média diária de US$ 301 milhões, bem superior à média de US$ 263 milhões dos 23 dias úteis de julho. Nessa mesma quinta semana, as exportações somaram US$ 823 milhões, com uma média diária de US$ 205,8 milhões, inferior à media de US$ 227,7 milhões observada ao longo do mês.
Não preocupa O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT), Maurício Cortes, preferiu reduzir o impacto do resultado da balança comercial e disse que o déficit de US$ 811 milhões não preocupa o governo. Ele atribui o aumento das importações em julho à compra de aviões pelas empresas aéreas nacionais, em valor próximo a US$ 250 milhões.
Cortes fez questão de destacar, no entanto, o desempenho das exportações. Segundo ele, os produtos químicos, material de transporte e equipamentos mecânicos apresentaram crescimento nas vendas ao exterior junto com as commodities que permaneceram no mesmo nível dos meses anteriores. As exportações de açúcar, informou ele, tiveram um aumento de 20% em relação a junho. Também as exportações de suco de laranja cresceram no mês passado.
Na visão do secretário, o crescimento das vendas de material de transportes também demonstra que a exportação de automóveis está se consolidando. ‘‘A expectativa das exportações para médio e longo prazos é muito boa’’, avaliou Cortes. ‘‘As vendas de manufaturados estão crescendo, o que indica que teremos um desempenho bastante positivo nas exportações de maneira diversificada e não apenas nos produtos básicos’’, acrescentou ele.
Cortes lembrou ainda que a procura pelas linhas de crédito do Programa de Financiamento à Exportação (Proex) está muito grande. Por isso, ele acredita que, se necessário, poderá haver a suplementação dos recursos de financiamento e equalização de taxas do Proex, com o objetivo de atender à demanda por recursos.

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