Exportação puxa retomada industrial
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A análise de subsetores da produção industrial de abril confirma que as exportações e o crédito estão sendo responsáveis por aumentos expressivos em alguns segmentos. É o caso de sucos e concentrados de frutas, voltados sobretudo para as exportações e vinculados ao agronegócio - dois pilares da recente trajetória de recuperação da indústria -, cujo crescimento acumulado de janeiro a abril chegou a 41,2%, na comparação com igual período de 2003. Em março, a expansão desse segmento chegou a 97,4% e, em abril, manteve-se em ritmo veloz, com aumento de 28,45%.
O mercado doméstico, aquecido para bens duráveis por causa da melhoria das condições de crédito, está impulsionando o conjunto da produção dos eletrodomésticos e automóveis. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de eletrodomésticos da linha branca (geladeira e fogões) cresceu 17,3% no acumulado de 2004. Já os de linha marrom (som, TV, aparelhos de DVD e videocassete) cresceram ainda mais, com incremento acumulado de 38,61%. Somente em abril, os eletrodomésticos ''marrons'' apresentaram aumento na produção de 28,8% ante igual mês de 2003.
Ainda em abril, nessa base de comparação, cresceram os automóveis, caminhonetes e utilitários (23,6%, acumulando no ano alta de 22,7%) e veículos automotores para passageiros (23,6% em abril e 24,6% no acumulado do ano).
A economista Isabela Nunes Pereira, do IBGE, observou que os segmentos da indústria que dependem mais diretamente de aquecimento do mercado doméstico, via rendimento dos trabalhadores, continuaram apresentando resultados negativos no primeiro quadrimestre, mas alertou que ''já há algum dinamismo'' aparecendo nessas atividades. No entanto, ela avalia que somente uma recuperação mais consistente da renda vai provocar uma reação generalizada da produção da indústria.
Entre os segmentos que vêm mostrando alguma reação e estão fortemente vinculados à renda, ela cita a produção de cimento, que passou de uma queda de 6% em fevereiro (na comparação com igual período do ano passado), para crescimento de 6,8% em abril e já acumula no ano taxa positiva de 0,3%. Por outro lado, alguns segmentos ainda estão sofrendo forte impacto de desaquecimento de consumo interno, como calçados, com queda acumulada no ano de 6,29% e embalagens de material plástico (queda acumulada de 6,22%).


