São Paulo - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, disse que os desembolsos de recursos para operações de exportação foram um destaque nos oito primeiros meses do ano. As liberações cresceram 44% em relação ao período de janeiro a agosto do ano passado, totalizando US$ 3,1 bilhões.
Segundo balanço de atividade divulgado pelo banco, as cartas-consulta de financiamento atingiram R$ 57,7 bilhões nos primeiros oito meses do ano, uma expansão de 6% na comparação com igual período de 2004. As cartas-consulta são o primeiro contato entre os interessados em receber financiamentos e o BNDES.
O desempenho do último mês de agosto, de R$ 4,6 bilhões em cartas-consulta, foi 18% inferior ao verificado no mesmo mês de 2004. Para Mantega, os números modestos deste mês devem-se a uma mudança qualitativa nas cartas. ''As que estão sendo feitas em 2005 são mais firmes. No ano passado, muito empresário consultava o banco, mas não pegava o financiamento''.
De acordo com o balanço da instituição, os enquadramentos dos pedidos de financiamento nas exigências do BNDES aumentaram 45% nos oito primeiros meses deste ano, subindo de R$ 38,7 bilhões para R$ 55,9 bilhões. O resultado apenas do mês de agosto foi 22% maior do que o do mesmo mês de 2004, atingindo R$ 3,7 bilhões.
O agente financeiro com maior volume em desembolsos no BNDES até agosto foi o Bradesco, com R$ 2,6 bilhões, dos quais 60,6% para micro, pequenas e médias empresas. Os outros quatro maiores agentes foram Banco do Brasil, com R$ 2,3 bilhões; Unibanco, com R$ 1,4 bilhão; Votorantim, com R$ 727 milhões; e DaimlerChrysler, com R$ 726 milhões. ''As liberações realizadas até agosto mostram que a economia está aquecida e que continuará assim no segundo semestre'', afirmou.
Mantega acredita que os desembolsos de recursos pela instituição devem ficar em R$ 50 bilhões neste ano, abaixo do orçamento de R$ 60 bilhões. Se confirmado, o montante representará um crescimento de 25% em relação a 2004. Segundo ele, as liberações não alcançarão o orçamento porque muitas empresas estão capitalizadas e várias das que precisam de recursos estão recorrendo ao mercado internacional. Além disso, diz, o setor agropecuário está desaquecido e, portanto, demandando menos crédito.
Um quarto motivo para o desembolso menor que o esperado é o fim do programa de capitalização das distribuidoras de energia elétrica. ''As elétricas se recuperaram e não há necessidade de manter o programa de capitalização'', afirmou.

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