Exportação para a Argentina cai 48%
Agência Folha
De Buenos Aires
As exportações brasileiras para a Argentina caíram 48% nas três primeiras semanas de julho em relação a igual período do ano passado. Mas para alguns produtos, as exportações cresceram entre 20% e 43.000% no primeiro semestre. Esses dados fazem parte dos números que serão apresentados ao Brasil na reunião amanhã e sexta-feira em Montevidéu. O objetivo é convencer a diplomacia brasileira a aceitar medidas temporárias de compensação para os setores afetados pelo excesso de exportação.
No total, os negociadores apresentarão um lista com cerca de 15 produtos prejudicados pelas vendas brasileiras, depois da desvalorização do real. As exportações de vidro polido tiveram o maior crescimento - cerca de 43.000%. O setor, no entanto, não preocupa muito o governo argentino, pois o volume de importações ainda é baixo.
Os setores que mais preocupam os argentinos são papel, calçados, tecidos e produtos siderúrgicos. Para calçados, houve aumento médio de 68% nas exportações brasileiras, segundo dados dos industriais do setor. Alguns produtos siderúrgicos tiveram crescimento de mais de 200%, enquanto tecidos de algodão cresceram mais de 600%.
Até agora, o único mecanismo consensual entre os dois parceiros é o uso de acordos voluntários entre os setores privados. Autoridades argentinas, no entanto, afirmam que esse instrumento não conseguiu resultados satisfatórios. O mecanismo de acordos setoriais vigora desde a reunião presidencial de São José do Campos (SP), em fevereiro.
Os argentinos querem que o governo brasileiro pressione mais os setores que estão prejudicando os produtores argentinos, para que eles limitem as exportações.
Em uma atitude inédita na história do país, a União Industrial Argentina (UIA) anunciou que processará o governo argentino. O anúncio foi feito minutos após o fim da reunião que os líderes da UIA mantiveram com toda a equipe econômica do governo. Segundo o presidente da UIA, Osvaldo Rial, a ação judicial será aplicada se o governo não voltar atrás em sua decisão de suspender as salvaguardas.
Rial considerou que as salvaguardas são a única garantia de a indústria argentina se defender dos efeitos da desvalorização do real, que teriam causado o aumento das exportações brasileiras ao país, atingindo vastos setores de nossa economia. Como argumento jurídico, a UIA sustenta que um tratado internacional não pode ser modificado.
O presidente da UIA também afirmou que grande parte do aumento de 2% no desemprego argentino ocorrido entre outubro de 1998 e maio deste ano se deve à desvalorização do real, que calculou em 40%. Nós somos defensores do Mercosul, mas nestas condições, ele não poderá existir.
Pouco antes da reunião, mais uma vez, o presidente Menem rebateu as críticas dos industriais, que o acusam de ter cedido no encontro com FHC na semana passada, e justificou: estava a ponto de acontecer um desastre para o futuro do Mercosul.





