Nove dos 20 segmentos da indústria de transformação tiveram saldo negativo de exportações líquidas em 2012, o que significa que a receita com vendas para o exterior foi inferior aos gastos com importação. Segundo o indicador Coeficientes de Abertura Comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor automotivo, um dos mais beneficiados por incentivos no ano passado, teve crescimento negativo neste índice de -2,2% para -4,4%.
O economista Azenil Staviski afirma que esse é um exemplo de como o Brasil gera emprego e renda fora do País com o mercado aquecido de veículos, que cresceu 4,6% no ano passado, segundo a Federação Nacional da da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No entanto, não é esse o segmento mais permeado por importações. O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do paraná (Fiep), aponta que as exportações líquidas de itens de informática, eletrônicos e ópticos bateu em 52,2%, com importação de 89,7% de todos os insumos usados. "Não é exclusividade nossa, porque quem mais produz essa tecnologia hoje é a China, mas mostra como o processo produtivo no País está enfraquecido."
Staviski conta que são justamente os produtos de maior valor agregado, como os automotivos e de informática, que ficam com exportações líquidas negativas. Para ele, não vale a pena incentivar somente o consumo, como o governo fez no ano passado, se a indústria local não usa toda a capacidade de produção que possui. "Se hoje é vantajoso importar, por que produzir? É essa a pergunta que deve ser feita." (F.G.)

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