Exportação ineficiente custa US$ 25 bi
Exportação ineficiente custa US$ 25 bi
Estudo inédito aponta perdas provocadas pela burocracia no desembaraço das mercadorias
Agência Folha
De São Paulo
Arquivo FolhaBrasil poderia estar exportando US$ 75 bilhões: hoje são US$ 50 bilhõesO Brasil poderia exportar mais US$ 25 bilhões, por ano, e reduzir pela metade, de 124 dias para 61 dias, o ciclo de exportação, se os tempos médios para a realização das principais atividades da cadeia logística do comércio exterior fossem reduzidos dos níveis atuais para os níveis adequados aos padrões internacionais.
Essas são as principais conclusões de uma pesquisa pioneira e inédita do Comitê de Competitividade Global, da Amcham-SP (Câmara Americana de Comércio), realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, intitulado Estudo sobre a Competitividade Global da Empresa Brasileira na Dimensão Tempo.
Por meio de questionário respondido por 177 grandes, médias e pequenas empresas exportadoras, o estudo identificou as atividades básicas desde o recebimento da encomenda até a entrega do produto para obter o tempo de duração atual e desejável de cada uma dessas atividades.
O estudo revelou que a adequação do ciclo de exportação do nível atual, que é mais extenso do que o desejável, para o nível internacional teria um impacto expressivo no desempenho das empresas e das exportações. Seria possível obter uma redução de 28,5% no custo operacional, estimada em US$ 1 bilhão, e uma redução de 22,3% no custo financeiro, calculada em US$ 1,5 bilhão, significando uma redução total de custos de US$ 2,5 bilhões.
Da mesma forma, seria possível um crescimento das exportações de 26,3%, avaliado em US$ 13 bilhões, e um aumento da participação brasileira no mercado internacional, com a abertura de novos mercados, de 24,2%, estimado em US$ 12 bilhões, significando um aumento total das exportações de US$ 25 bilhões.
Michael Canon, presidente da DHL do Brasil e membro do Comitê de Competitividade Global da Amcham-SP, formado por presidentes das subsidiárias brasileiras de multinacionais norte-americanas, diz que o objetivo do estudo é ajudar o Brasil a tornar-se um fornecedor competitivo de produtos e serviços de classe mundial.
Um dos maiores obstáculos ao crescimento das exportações é a multiplicidade de organismos, normas e regras de comércio exterior, diz. A exportação é órfã de pai e mãe no Brasil. Canon diz que a Amcham-SP, em vez de ficar eternamente reclamando do custo Brasil, vai apresentar recomendações ao governo e às empresas exportadoras para pôr fim à estagnação das exportações brasileiras.
Em valor nominal, as exportações brasileiras cresceram 150% de 1980 a 1998, passando de US$ 20 bilhões para US$ 50 bilhões. Em valor real (descontando a inflação), o crescimento, a dólares constantes de 1980, foi de 30%, ou seja, de apenas 1,5% por ano.
Segundo o Comitê de Competitividade Global da Amcham-SP, a dimensão tempo é um dos mais importantes parâmetros para a competitividade, pois condiciona o prazo de entrega do produto.
O primeiro passo para tornar o fator tempo uma vantagem, e não mais um obstáculo, para a competitividade global das empresas, será um seminário, previsto para o dia 21 de setembro, na Amcham-SP, com a participação do Ministério do Desenvolvimento, Receita e exportadoras.
Manoel Reis, professor de Logística da FGV, coordenador técnico do estudo, diz que a ineficiência do fator tempo das exportações brasileiras, tornando o prazo de entrega dos produtos irregular, tem um impacto negativo para a imagem do Brasil como exportador confiável. A falta de sensibilidade da maioria das empresas com relação à importância do gerenciamento adequado do fator tempo significa custos adicionais para a economia nacional e perda contínua de participação brasileira no mercado internacional.
O país poderia estar exportando US$ 75 bilhões, em vez de US$ 50 bilhões, o que significaria cerca de 10% do PIB. Em 98, exportamos 6,5% do PIB, um número muito baixo, afirma. Manoel Reis diz que o estudo mostrou que a ineficiência da dimensão tempo no comércio exterior brasileiro não é um problema exclusivamente do governo, mas também das empresas.





