Exportação garante produção de veículos
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - A indústria automobilística concentrou esforços nas exportações para compensar a queda nas vendas internas e conseguiu seu melhor resultado mensal desde maio de 1998. As empresas exportaram o equivalente a US$ 519,9 milhões em agosto, com aumento de 60,3% em relação a igual mês de 2002. Já para o consumidor brasileiro, a queda nas vendas foi de 20,4%. Na comparação com julho, as vendas externas cresceram 16,7%, enquanto as internas caíram 11,3%.
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações cresceram 35,8% e seguraram a produção. Até agora, deixaram as linhas de montagem 1,18 milhão de veículos, 1,5% a mais que em igual período do ano passado. Os negócios no mercado doméstico, ao contrário, registraram queda de 9,9%, baixando para 862 mil unidades.
Ao mesmo tempo em que comemorou o bom resultado das exportações, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reclamou ontem do programa de estímulo às vendas anunciado pelo governo da Argentina. A medida prevê descontos médios de 12% para a compra de veículos produzidos localmente, e exclui os modelos brasileiros e de outros países. ''A atitude é discriminatória e viola tratados no âmbito do Mercosul'', disse o presidente da entidade, Ricardo Carvalho.
A Anfavea enviou ontem para a Argentina um grupo de executivos para conversar com as montadoras locais e o governo. ''A bonificação deve ser estendida a todos os veículos do Mercosul ou então ser suspensa'', afirmou Carvalho. Ele teme que a ação abra precedentes e outras atitudes de retaliação tornem inviável o acordo comercial na região. No Brasil, lembrou o executivo, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não excluiu veículos importados.
A Argentina responde atualmente por 13,5% das exportações brasileiras. As vendas para o país estavam em recuperação, pois no ano passado responderam por apenas 7,1% dos negócios externos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, já pediu ao Itamaraty gestões para que a medida, prevista para vigorar por cinco meses, seja revista.
Mesmo com a queda na produção, a indústria contratou em agosto 344 funcionários e emprega agora 92,4 mil pessoas. Além das exportações, e da própria recuperação das vendas de carros a partir deste mês, as montadoras estão confiantes na aprovação do Modercarga, o programa de financiamentos para incentivar a venda de caminhões.
Carvalho informou que a entidade entregará ao governo proposta de utilização de parte dos recursos de R$ 2,5 bilhões destinados ao programa para a formação de um fundo que cobriria eventual inadimplência nas prestações. A falta dessa garantia é, segundo ele, o principal entrave para o lançamento do programa.
Os sindicatos de trabalhadores, que inicialmente exigiam a unificação da jornada de trabalho e dos salários como contrapartida para a liberação de verbas do FAT estão mais flexíveis, afirmou Carvalho.


