Exportação ganha novo crédito
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sexta-feira, 16 de agosto de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As cooperativas do Paraná estão apostando no retorno imediato das linhas de crédito às exportações para deslanchar os embarques de grãos e farelo, que ficaram ''travados'' na última semana. Por falta de linhas de crédito, as cooperativas não estão conseguindo fechar contratos de compra com os produtores, que estão deixando de aproveitar a excelente oportunidade de exportação com o câmbio favorável, disse o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.
Os negócios ficaram parados nos últimos dias. As cooperativas precisam dos recursos das linhas de crédito para que as operações de compra de produtos para exportação não fiquem descobertas. Essa era a maior preocupação das cooperativas, principalmente daquelas que exportam soja em grão e farelo de soja. ''Muitos negócios deixaram de ser feitos para que as operações não ficassem descobertas'', disse Koslovski.
Agora, as cooperativas estão apostando no retorno dessas linhas de crédito a partir de segunda-feira. O ministro Pedro Malan disse ontem, em Curitiba, que o governo colocou além dos US$ 2 bilhões já anunciados para reforçar o crédito à exportação, mais US$ 2 bilhões em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Segundo Koslovski, de janeiro a junho deste ano o Paraná vendeu 47% a menos de soja em grão em relação ao ano passado e 63% do farelo produzido no Estado. Ou seja, o produtor segurou a produção nesse período, apostando numa melhora das cotações internacionais e também do câmbio. Em julho, com a combinação desses dois fatores houve uma corrida à exportação. As vendas para o mercado externo superaram as expectativas, disse. ''Essa euforia murchou nos últimos 10 dias com a escassez de recursos das linhas de crédito'', emendou.
A escassez de recursos foi mais sentida pelas indústrias que exportam farelo de soja. Nos últimos 15 dias, foram exportados através do Porto de Paranaguá 189.129 toneladas da farelo, quando no mesmo período do ano passado foram exportadas 267.007 toneladas. Não haveria redução nas exportações nesta época, que o câmbio está extremamente favorável e tem produto a ser escoado, não fosse a escassez das linhas de crédito.
De janeiro até o dia 15 de agosto deste ano, passaram pelo Porto de Paranaguá 7,33 milhões de toneladas entre soja em grão e de farelo de soja, o que corresponde a um desempenho inferior ao volume exportado no mesmo período do ano passado, quando foram escoadas 7,45 milhões de toneladas de produtos. Ocorre que a produção deste ano foi maior e com o câmbio favorável e necessidade do País em atrair dólares, a previsão era acelerar e não ''travar'' as exportações, disse Koslovski.


