Exportação do milho dispara
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O milho brasileiro está de "malas prontas" rumo ao exterior. Este é o cenário de final de ano da commodity agrícola, já que o ritmo de embarques do grão segue bastante aquecido na primeira quinzena de dezembro, o que tem elevado os preços nos portos e sustentado as cotações no interior do País. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), as exportações de milho somaram 3 milhões de toneladas até o dia 15, com ritmo diário de 276,9 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A expectativa é que os embarques sigam intensos. Para as próximas semanas, devem ser carregados no Porto de Paranaguá mais de 2 milhões de toneladas do grão, enquanto em Santos atingirá 1,7 milhão de toneladas. O pesquisador do Cepea especialista no assunto, André Sanches, comenta que nunca foi exportado tanto milho como nos últimos meses. Em outubro, o recorde de toda a série histórica, com 5,5 milhões de toneladas enviadas. Em novembro, o valor também muito alto, com 4,7 milhões de toneladas. "Se continuarmos nesse ritmo forte de dezembro, o Brasil vai bater recorde histórico novamente", complementa.
De fato, nos dados de exportação entre janeiro e novembro, percebe-se uma alta significativa dos envios para o mercado externo. Em 11 meses, o Brasil comercializou no comércio exterior 22,63 milhões de toneladas, alta impressionante de 31,1% frente aos 17,23 milhões enviados no mesmo período do ano passado. Já no Estado, a elevação é mais tímida porém significativa, sendo exportados 2,99 milhões de toneladas, alta de 5,2% em comparativo aos 2,84 milhões de toneladas de 2014. O destino final do produto está concentrado no Irã e Vietnã, os dois países juntos compram mais de 36% do que é exportado. Vale dizer ainda a produção de milho totalizou 84,8 milhões de toneladas na safra 2014/15. O Paraná foi o segundo maior produtor, com 16 milhões de toneladas, atrás apenas do Mato Grosso.
Dados da Scot Consultoria apontam que o volume semanal de envio pelos portos brasileiros sofreu incremento de 16,4% frente a novembro deste ano e, acredite, 80% superior a dezembro do ano passado. O analista de mercado da entidade, Rafael Ribeiro de Lima Filho, revela que o ritmo dos embarques ficou frenético à partir do segundo semestre, quando o milho safrinha foi colocado no mercado. "Os volumes recordes da safra 2014/15 do milho safrinha foram fundamentais para alta das exportações. Claro que tudo isso está balizado na questão cambial, já que a alta do dólar fomenta as transações. Além disso, o consumo no mercado interno também é grande".
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Deral) também aponta para o fechamento de contratos mais intensos por parte do produtor. Ou seja, apesar da primeira safra de milho 2015/16 ter perdido espaço para a soja, as transações estão mais aquecidas que no ano passado. Até agora, 3% da esperada safra de 3,7 milhões de toneladas já foi vendida. No ano passado, no mesmo período, o valor era de apenas 1%.
Os preços, claro, justificam a pressa do produtor. Em novembro do ano passado o valor da saca de 60 quilos era, em média, de R$ 20, enquanto em novembro passado a mesma saca atingiu a marca de R$ 24,45, alta de 22%. Nos últimos sete meses, a elevação foi de 25%. "O pessoal não quer esperar e já está garantido as vendas. Isso acontece em diversas regiões do País, inclusive no Mato Grosso. Na região de Campinas, por exemplo, a saca já atingiu a casa dos R$ 34. Os valores ganharam ainda mais força a partir de setembro", complementa o analista.
Em condições normais, estima-se que a produção paranaense de milho da safra
2015/16 supere 16 milhões de toneladas. Em todo o Brasil, a expectativa é que o grão atinja a marca de 83,5 milhões de toneladas. Por fim, o consumo mundial deve ficar estável em 971 milhões de toneladas, gerando um estoque de 211 milhões de toneladas, 1,44% maior do que este ano.


