Exportação de suínos foca em tecnologia
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
A exigência dos mercados internacionais em relação à carne brasileira está fazendo com que as empresas e cooperativas paranaenses que trabalham com exportação foquem continuamente em melhorias nas áreas de abate e produção. Na cadeia de suínos, as exigências de países como a Rússia por exemplo, que voltou a negociar com o Brasil no segundo semestre do ano passado, são enormes, tanto no que diz respeito à sanidade como em bem-estar animal.
O Paraná tem uma expectativa que até o final deste ano a produção de carne suína atinja 650 mil toneladas, alta de 5% a 7% em comparativo às 611,2 mil toneladas do ano passado. No que se refere à exportação, a alta pode chegar a 20%, atingindo 54 mil toneladas, ante 45 mil toneladas de 2014, com a comercialização focada principalmente em países como Hong Kong, Uruguai, Cingapura, Argentina e Rússia. "A expectativa é que o volume de vendas para os russos seja bem maior este ano. Além deles, outros países como Argentina, Angola e o retorno da Tailândia também são importantes", salienta o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (Seab), Edmar Gervásio, responsável pela compilação dos números.
A Frísia Cooperativa Agroindustrial antiga Batavo é uma dessas empresas que estão com foco nas exportações futuras. Na semana passada, foi inaugurada na cidade de Carambeí (Campos Gerais), a Unidade Produtora de Leitões (UPL), considerada atualmente a mais moderna granja do País. Com capacidade de alojamento de cinco mil fêmeas e produção semanal que atingirá futuramente 2,9 mil leitões, a tecnologia diferenciada vai desde a inseminação dos animais até a entrega deles para os cooperados terminadores. Um investimento de R$ 40 milhões.
Um ambiente tecnificado que atende as exigências do mercado europeu. Esta é a primeira granja nacional de grande porte com sistema de gestão coletiva. Ao contrário das granjas convencionais, que mantêm as matrizes presas em gaiolas, a UPL mantém os animais em baias amplas durante todo o período de gestão (período mais longo da vida das porcas), projetadas dentro das atuais legislações internacionais. "Estamos atentos à legislação europeia e olhando para o futuro. Cada fêmea recebe um chip e se alimenta através de uma máquina de tecnologia europeia que faz a gestão individual das porções de ração diariamente. Um equipamento atende 65 porcas, lendo os chips através de sensores e, assim, alimentando os animais", explica o gestor de pecuária da Frísia, Mauro Sérgio Souza.
O leitão recém-nascido passa aproximadamente dois meses na UPL. Por três semanas, ele fica na chamada "maternidade", com a mãe, até ser desmamado com aproximadamente seis quilos. Depois, ele segue para a "creche", onde permanece até atingir 22 quilos e, logo na sequência, segue para os suinocultores até atingirem aproximadamente aos 115 quilos, momento do abate.
Como a operação é de núcleo-filial de rebanho fechado, a unidade conta com planteis internos para reposição das matrizes e material genético, sem que seja necessário a introdução de novos animais no sistema. A UPL conta com um conceito de genética líquida, apenas sêmen selecionado de machos do topo da cadeia ingressam no sistema. "Nós ainda fazemos a reutilização da água em 40% do volume tratado, usamos biogás para aquecimento do piso em que os animais estão alocados e climatizadores controlam a temperatura, focando no bem-estar animal", complementa Souza. Em 2025, a expectativa é que a UPL entregue 1,1 mil toneladas de carne dia para o frigorífico localizado em Castro, trabalho em conjunto que envolve as cooperativas Castrolanda, Capal e Frísia.


