Exportação de peso (Oswaldo Petrin)
-O anúncio da produção de grãos na safra 97/98 (80,7 milhões de t) foi feito ontem, no momento em que eram conhecidos dois balanços que têm tudo a ver com a produção primária: 1) A participação da agricultura nas exportações deste ano deve crescer 8,4% em relação a 97, 2) O custo de vida está em queda principalmente porque os preços da comida (proteína vegetal e animal) estão subindo mais devagar. Os gastos com alimentação aumentaram 0,5%. A alta anterior havia sido 0,85%.
-As exportações são um dado significativo. No ano passado, os seis principais grãos (milho, soja, feijão, arroz, trigo e amendoim) responderam por um superávit de US$ 3,1 bilhões na balança comercial. Para 98, a previsão é que a agricultura registre um superávit de US$ 3,4 bilhões. Segundo o Ministério da Agricultura, esse crescimento será impulsionado pelo aumento na produção de soja, algodão e arroz. (Leia mais sobre exportações na 1ª página deste caderno).
-Os anúncios de safra, invariavelmente usados para discursos de políticos, acabam prejudicando a própria agricultura, quando projetam números exageradamente otimistas, sugerindo excesso de oferta. Porém, não dá para dissociá-los da riqueza nacional, quando se trata de exportação, por um lado, porque envolve balança comercial, câmbio etc, e, por outro lado, o abastecimento, exercendo influência direta sobre o custo de vida. Nesta altura a conotação é também política e de segurança alimentar.
-Embarquemos, então, no exercício de ufanismo. A produção brasileira de grãos da safra 97/98 será a segunda maior da história do País, com um volume de 80,7 milhões de toneladas, perdendo apenas para a safra 1994/95, que registrou a produção recorde de 81,1 milhões de toneladas. O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Arlindo Porto, ao apresentar os números da terceira estimativa de safra 1997/98, realizada pela Conab. O ministro lembrou que esses números são consolidados, ou seja, que não há possibilidade de redução na produção devido a problemas climáticos, já que a colheita foi iniciada em toda a Região Centro-Sul, que responde pela maior parte da produção agrícola do País.
-Os dados da Conab foram recebidos com entusiasmo pela área econômica do governo, que temia uma quebra na produção devido às alterações climáticas ocasionadadas pelo fenômeno El Ni¤o. No conjunto, o El Ni¤o beneficiou a agricultura, comentou o ministro. O El Ni¤o prejudicou a safra apenas em algumas regiões, como no Centro-Sul do Mato Grosso do Sul, e em algumas áreas do Goiás, onde a seca contribuiu para uma redução na produção de milho e soja. No Rio Grande do Sul, as chuvas decorrentes do El Ni¤o comprometeram a produção de arroz, com perde na região da fronteira do Estado de 20 mil a 30 mil hectares de área cultivada.USDA/soja





