As exportações de ovos in natura e processado de janeiro a outubro deste ano registraram um aumento de 74% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos dez primeiros meses de 2015, o Brasil embarcou para o exterior 14,6 mil toneladas de ovos, contra 3,80 mil toneladas exportadas no comparativo com o mesmo período de 2014.
Os dados, levantados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), apontou também que só em outubro foram exportadas 3,14 mil toneladas, volume 77,4% maior em relação ao mesmo mês do ano passado, considerado o maior volume mensal registrado desde janeiro de 2012. Regina Mazzini Rodrigues Biscalchin, analista de mercado do Cepea, aponta que a alta do dólar frente ao real tem favorecido os embarques.
Ainda de acordo com os especialistas no assunto, o bom desempenho nas vendas ocorre em um momento de baixa oferta no mercado interno, mantendo os preços dos ovos aquecidos. Em receita, as exportações da proteína renderam de janeiro a outubro deste ano US$ 18,9 milhões, valor 58,8% superior ao registrado no mesmo período de 2014.
As penínsulas que compõem os Emirados Árabes Unidos são os que mais compram a proteína, representando 73% das exportações brasileiras o que equivale a 10,7 mil toneladas. Em receita, o total arrecadado somente com as exportações para as penínsulas somaram US$ 12,4 milhões, valor que representa 65,6% do total arrecadado pelo Brasil no período. O Japão é um dos mercados que também tem grande representatividade para o ovo brasileiro. De janeiro a outubro o país importou 968,6 toneladas, ante 93 toneladas adquiridas no mesmo período do ano passado.
No Paraná, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de ovos entre os meses de janeiro e outubro para incubação somaram 3,42 mil toneladas, contra 3,05 mil toneladas contabilizadas no mesmo período do ano passado.

Mercado interno


O preço do ovo médio pago ao produtor paranaense pela caixa com trinta dúzias fechou novembro a R$ 59,91, contra R$ 60,62 a caixa em outubro e R$ 49,84/caixa em novembro de 2014. O Paraná produz, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 180,9 milhões de dúzias, números compilados de 2013.
Regina avalia que o aumento das exportações enxugou a produção do País. Sem oferta, os preços deram uma reagida. Além disso, as ondas de calor que atingiram algumas regiões produtoras no meio do ano também prejudicou a produção do País. Porém, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção do País este ano deve atingir 39 bilhões de unidades, contra 37 bilhões de ovos produzidos no ano passado.
Tironi Fidelis da Silva, gerente comercial da Granja Marutani, sediada em Arapongas (Norte), afirma que os preços não estão ruins e nem bons, sendo o suficiente para cobrir os custos de produção. Ele explica que a produção decresceu e o consumo interno disparou devido à crise econômica nacional, que fez muitos brasileiros substituírem o carne bovina por fontes de proteínas mais baratas, como o ovo.
Atualmente a granja produz 21 mil dúzias de ovos por dia. Questionado sobre a perspectiva de mercado para 2016, Silva observa que ainda é certo para falar em tendências, lembrando que 2015 foi um ano sem prejuízos, o que já pode ser considerado lucro, na opinião o produtor.

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