São Paulo - A exportação será fundamental para que os preços internos do milho não cedam no segundo semestre, refletindo a safrinha recorde que está sendo colhida. A avaliação é do economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados. ‘’Do ponto de vista da economia agrícola, uma coisa muito importante será o País conseguir exportar quantidades grandes de milho a partir de agosto, como foi no ano passado’’, disse em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
‘’Em caso positivo, o preço para o produtor nacional fica mais defendido, isto é, o estoque no final do ano não será tão grande mesmo com queda nos preços internacionais.’’ Segundo o economista, se a antecipação não for possível, o mercado interno de milho deve ficar mais pressionado. ‘’Mas nossa avaliação é de que, como a exportação de soja está acelerada, isso vai ajudar na exportação de milho e talvez os preços não caiam tanto.’’
Para Mendonça de Barros, no que se refere aos preços internacionais dos grãos, persistem algumas dúvidas sobre a projeção de área plantada nos Estados Unidos que o Departamento de Agricultura do país (USDA) divulgou no final de junho.
‘’O clima durante o plantio não foi bom, então as janelas nas quais foi possível realizar a semeadura foram pequenas. Apesar de um plantio grande, o risco de problemas climáticos é maior do que nos outros anos, quando os produtores distribuem o plantio por um período maior.’’ Ele ressaltou, no entanto, que a expectativa do mercado continua sendo de uma boa safra norte-americana. ‘’Nos EUA, isso já está afetando muito o milho, que é um produto que deve crescer bastante (em termos de produção)’’, apontou.
Para os produtores brasileiros, o movimento de desvalorização do real deve compensar parte do efeito de perda de preço, especialmente para grãos e carnes, conforme o consultor. ‘’A receita de exportações é 100% corrigida pelo câmbio, e a despesa dos agricultores é só parcialmente corrigida, porque custos de insumos e fertilizantes tendem a subir, mas as margens ficam iguais ou melhoram e, com o tempo, isso estimula a exportação’’, destacou. Já para produtos que estão com excesso de oferta, como o café, Barros assinalou que a tendência é de queda de preços até o fim do ano.

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