São Paulo - As exportações de madeira cresceram 19% em 2003, em relação ao ano anterior, motivadas principalmente por contratos firmados por madeireiras brasileiras na Europa e nos Estados Unidos. O embarque de compensados, móveis e portas, entre outros produtos de madeira (com exceção de celulose e papel), chegou a US$ 2,68 bilhões, volume equivalente a 3,3% do mercado mundial do produto. A produção total de madeira no País foi de US$ 8 bilhões, cerca de 2% do PIB nacional. O índice chega a 4% se somados os valores gerados pela cadeia de celulose e papel.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Odelir Battistella, países europeus e os EUA já se consolidaram como os principais compradores do produto nacional. ''São mercados tradicionais, que reconhecem a qualidade do produto brasileiro'', reforça Battistella. A Ásia, outra importante região para a indústria madeireira do País, também vem se destacando entre os clientes internacionais. ''Trata-se de um mercado que agora está mais aberto'', diz.
A participação no mercado externo, entretanto, ainda não satisfaz o setor. De acordo com Battistella, o Brasil poderia responder por até 6% do mercado mundial em cerca de 15 anos, se houvesse políticas governamentais de estímulo, por exemplo, à exploração de madeira nativa. ''Não se deve devastar as florestas nativas, mas também não há necessidade de mantê-las intocadas'', defende.
Segundo o presidente da Abimci, 56% de todo o território nacional é coberto por florestas nativas - cerca de 412 milhões de hectares. ''Já as florestas plantadas correspondem a apenas 0,5%'', afirma. Da área total de florestas nativas, 245 milhões de hectares poderiam, segundo a entidade, ser explorados pela indústria madeireira sem causar danos ambientais. ''Essa área corresponde a florestas produtivas, que poderiam ser utilizadas racionalmente sem dano algum'', reitera.
Nesse sentido, o Plano Nacional de Florestas, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) este mês, trouxe um alento ao setor. ''Ao que parece, já se fala em espaço para exploração de florestas nativas e áreas de reflorestamento'', diz. Válido para o período de 2004 a 2007, o plano prevê o plantio de 2 milhões de hectares de florestas nos próximos três anos e a concessão de linhas de crédito, no valor total de R$ 1,8 bilhão, para a execução das propostas. O governo se dispôs ainda a conceder terras públicas na Amazônia, caatinga, cerrado e Mata Atlântica para a execução de projetos.
Além do alegado potencial inexplorado, o setor também tem se queixado da falta de atenção do governo às iniciativas de reflorestamento. Por conta da falta de incentivos na década de 90, diz Battistella, a indústria chegou a admitir a possibilidade de um ''apagão'' da madeira em 2004. ''As florestas têm ciclos de 10 a 25 anos e, como ficamos um longo período sem incentivos, houve risco sim de faltar madeira no mercado'', diz o presidente da Abimci.

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