Exportação de frango tem números menores em junho
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Alexandre Inacio<br> Agência Estado 
São Paulo - As exportações brasileiras de carne de frango somaram 329 mil toneladas em junho, uma queda de 0,34% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em receita, os embarques do mês passado somaram US$ 529 milhões, queda de 18,8% em relação a junho de 2008. No acumulado do primeiro semestre as vendas externas de carne de frango totalizaram 1,8 milhão de tonelada, volume 1,9% abaixo do verificado em igual período ano passado. A receita das exportações no primeiro semestre ficou em US$ 2,7 bilhões, em queda de 20% ante o mesmo período de 2008. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef).
Segundo a entidade, a rentabilidade do setor foi afetada pela queda do dólar e pela alta dos custos de produção, principalmente farelo de soja e mão-de-obra. O Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) ainda não totalizou as informações do setor referentes ao mês passado. No entanto, o presidente Domingos Martins adiantou que a quantidade de negócios não chegou a cair. O Paraná é o principal Estado produtor de aves e um dos maiores exportadores, chegando a intercalar a primeira posição do ranking com Santa Catarina.
Ele acrescentou que a meta do segmento era fechar o ano passado - em meio à crise econômica mundial - com exportações de 300 mil toneladas. ''Esta quantidade (exportada) é o suficiente para não mexer na produção nacional. É cerca de 30% do total produzido no Brasil'', informou. No volume total produzido no País, o Paraná responde com entre 27% e 30% de participação.
Apesar da queda registrada em junho, a expectativa da Abef é que as exportações brasileiras de carne de frango deverão crescer 5% em volume neste ano. ''No segundo semestre é comum termos um aumento nas vendas, com destaque para os últimos três meses deste ano, que devem ser melhores do que o último trimestre do ano passado'', disse o presidente da Abef, Francisco Turra.
Apesar do crescimento em volume, a expectativa é de que a receita não supere a arrecadação de 2008. Segundo Turra, não é possível fazer uma previsão, pois o desempenho do dólar em relação ao real ainda não está totalmente claro para as empresas exportadoras.
Além do câmbio, outro fator que deve limitar um avanço na arrecadação é o preço médio de exportação, que, apesar de estar se recuperando após a crise, ainda não voltou aos patamares anteriores. Dados da Abef mostram que o preço médio da tonelada de frango brasileiro caiu de US$ 2.139,34 em setembro do ano passado, mês de agravamento da crise financeira, para US$ 1.573,50 por tonelada em janeiro deste ano.
Em junho, o preço médio do produto brasileiro foi de US$ 1.607,76 por tonelada. ''Não vamos repetir a receita do ano passado, mas já existem alguns países, como o Japão e a região do Oriente Médio, que já se mostram mais dispostos a pagar mais pelo frango brasileiro, levando em consideração nosso aumento de custos'', disse Turra.
Entre janeiro e junho, a Arábia Saudita aparece como maior cliente do frango brasileiro. Nos seis primeiros meses do ano, foram exportadas 231,15 mil toneladas, volume que representa um crescimento de 33% em comparação ao mesmo período do ano passado. Em segundo lugar está Hong Kong, com importação de 221,31 mil toneladas, 7% a mais do que o primeiro semestre de 2008.
Apesar de ocupar o nono lugar na lista de importadores, o Iraque foi, individualmente, o país que registrou maior aumento de compras, com a aquisição de 71,03 mil toneladas de frango, crescimento de 135% ante as 30,28 mil toneladas importadas no primeiro semestre do ano passado.
Nos destaques negativos, Turra chamou a atenção para a queda apresentada pela Rússia, Alemanha e Venezuela. As importações russas recuaram de 59,6% no primeiro semestre, passando de 89,6 mil para 34,98 mil toneladas neste ano. Os alemães reduziram em 15 mil toneladas suas importações de frango brasileiro no primeiro semestre deste ano, passando de 58,09 mil toneladas nos seis primeiros meses do ano passado para 43,3 mil toneladas em 2009.
No caso da Venezuela, o principal cliente brasileiro na América do Sul, a queda foi de 36%, recuando de 144,25 mil para 91,6 mil toneladas. (Colaborou Fernanda Mazzini)


