Exportação de frango do Paraná bate recorde
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quarta-feira, 24 de novembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A queda do câmbio não impediu o Paraná de alcançar novo recorde na exportação de frango. No acumulado de janeiro a outubro, as indústrias do setor aumentaram a receita em 54% em relação ao mesmo período do ano passado, com as exportações de frango e derivados. O faturamento nesse período foi de US$ 564 milhões, com o embarque de 557,3 mil toneladas de aves e derivados, que correspondeu a um acréscimo de 36% no volume embarcado.
Para o presidente do Sindicato dos Abatedouros e Empresas Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, a queda do dólar não assusta os exportadores de frango porque os custos dos insumos também estão atrelados ao dólar. Citou como exemplo o custo das vitaminas, proteínas, soja e milho, que seguem as cotações do mercado externo. Além disso, o câmbio mais barato faz com que as cotações internacionais de frango se aproximem dos preços no mercado interno, o que motiva as indústrias a ampliarem a produção para atender os dois mercados, acrescentou.
Martins lembrou que o salário minimo já está bem próximo do valor de US$ 100, com o dólar cotado a R$ 2,75. Essa valorização aliada ao aumento do emprego e da renda, certamente o brasileiro vai colocar mais alimento na sua mesa e o frango será um dos primeiros a integrar o cardápio, pela qualidade da carne e preço acessível, justificou.
A expectativa para o ano que vem é ampliar a produção em 15%, que vai corresponder a um aumento de 12 milhões de cabeças por mês. Segundo Martins, será um aumento expressivo se for considerado que este ano o setor já ampliou a produção em 18% para atender o aumento das exportações. O Paraná é o maior produtor nacional de aves, com o alojamento de 80 milhões de cabeças por mês.
Para sustentar o aumento de produção, as 28 indústrias localizadas no Paraná estão com planos de expansão e modernização das instalações. Além disso, o setor vai solicitar um empréstimo de R$ 600 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que serão aplicados na modernização e ampliação dos galpões instalados no meio rural. ''Queremos dar mais condições para o produtor que acredita na avicultura para que ele consiga aumentar seu faturamento. E isso só se consegue com a produção em escala'', explicou.
Os investimentos na avicultura levam em conta ainda o atendimento das expectativas de ampliação do mercado externo. Atualmente o Japão e Arábia Saudita são os principais consumidores do frango paranaense, mas as indústrias de abate de aves estão apostando no acordo comercial firmado entre o governo brasileiro e a China, para que saia do papel ainda este ano. ''Afinal serão mais de 1,5 bilhão de consumidores que representam sete vezes a população brasileira'', disse Martins.


