As exportações brasileiras de amido e amido modificado de mandioca cresceram 60% de 2001 para 2002. No ano passado, o País vendeu 50 mil toneladas ao mercado externo, ante 30 mil toneladas em 2001, de acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam).
Até 2008, a meta do setor é atingir o volume de 500 mil toneladas exportadas. Maurício Yamakawa, presidente da Abam até ontem, afirmou que o objetivo foi traçado com base em um mercado potencial que ainda não é explorado.
Segundo ele, em alguns anos o plantio de batata na Europa deixará de ser subsidiado nos níveis atuais, que chegam a 600%. ''As indústrias vão precisar de um substituto para o amido de batata'', comentou, sugerindo que a fécula da mandioca é um grande concorrente para ocupar esse filão.
A prova de que a fécula brasileira interessa ao mercado externo é a presença de quatro multinacionais do ramo atuando no País. National Starch, Cargill, Corn Products e Abeve matêem negócios no Brasil e devem ser responsáveis por grande parte das vendas externas previstas para 2008. No exterior, o produto brasileiro atende indústrias de papel, têxtil, de mineração e de petróleo, entre outras.
A holandesa Abeve mantém, desde 2000, um contrato de intenção com o grupo Pilão Química, que opera em duas fábricas no Paraguai, quatro no Mato Grosso do Sul e duas no Paraná (em Guaíra e Colorado). O primeiro negócio da joint-venture se realizou neste mês, com a exportação de 36 mil toneladas de amido modificado quimicamente. Ano passado, a empresa exportou 16 mil toneladas, informou o diretor-presidente Nilton Jacobsen. Em cinco anos, a meta é atingir 150 mil toneladas.
Segundo Jacobsen, a multinacional holandesa produz e modifica 1,5 milhão de toneladas de fécula de batata e 350 mil toneladas de fécula de mandioca. Também em cinco anos, pretende atingir a marca de 750 mil toneladas de fécula de mandioca produzidas. ''Sabemos que a política de subsídios à batata européia está ficando impraticável'', reforçou.
No ano passado, o grupo Pilão respondeu por 10% da produção nacional de fécula, o que corresponde a 65 mil toneladas. ''Para este ano, queremos atingir entre 90 mil e 100 mil toneladas'', revelou o diretor. Para Yamakawa, as exportações brasileiras não avançam ainda mais porque o mercado externo não aceita preços exagerados. Hoje, a tonelada de fécula sai por R$ 1,1 mil reais, o que corresponde a US$ 366,00. ''Um preço razoável seria R$ 250,00'', disse.

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