As exportações de equipamentos de telecomunicações já cresceram três vezes nos primeiros nove meses do ano em relação ao mesmo período de 1999, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O índice de nacionalização dos produtos continua aumentando, mas em decorrência do grande volume de produtos exportados – principalmente celulares e estações rádio-base (ERBs) – a importação de componentes também foi alavancada.
O segmento de telecomunicações exportou US$ 816 milhões de janeiro a setembro, sendo US$ 506 milhões em celulares e US$ 111 milhões em ERBs. No período de nove meses, as exportações de celulares cresceram 542% e as de ERBs, 435%.
Considerando apenas setembro, as exportações de equipamentos de telecomunicações foram de US$ 91,6 milhões, um crescimento de 131% em relação ao mesmo mês do ano passado. As exportações de celulares em setembro (US$ 48 milhões) caíram, no entanto, pela metade em relação a agosto (US$ 96 milhões).
As importações de celulares, em compensação, estão quase zeradas – apenas US$ 7 milhões nos primeiros nove meses, contra US$ 129 milhões no mesmo período de 1999. As importações de ERBs, parte da infra-estrutura da telefonia celular, também caíram, somando US$ 30 milhões de janeiro a setembro ou 86% menos do que os US$ 212 milhões do mesmo período no ano passado.
A relação importação/exportação de equipamentos de telecomunicações está melhorando: era de 2,4 em setembro do ano passado – isto é, a cada R$ 2,4 importados se exportava um real – e chegou a 1,5 há dois meses. Atualmente, para cada real importado em peças e partes para telecomunicações, são exportados R$ 850 sendo que no ano passado essa relação era de R$ 267, o que mostra um índice maior de nacionalização.
As importações de peças e partes para telecomunicações somaram US$ 141,5 milhões em setembro, 44,2% mais do que no mesmo mês do ano passado. No período de nove meses, essas importações caíram 2,1%.
Por outro lado, a expansão fantástica das vendas externas de celulares, principal produto da pauta de exportações da Abinee, levou a um incremento de 40,8% nas importações de componentes nos primeiros nove meses deste ano em relação a 1999, somando US$ 4,8 bilhões.
Apenas em setembro as importações de US$ 638,4 milhões em componentes foram 35,9% maiores do que no mesmo mês do ano passado. As importações de semicondutores somaram US$ 1,4 bilhão de janeiro a setembro, um crescimento acumulado de 62%.
A perspectiva de uma expansão ainda maior nas exportações de celulares, com a produção local de aparelhos da tecnologia GSM para atender as bandas C, D e E, preocupa o governo, que pretende atrelar financiamentos à criação de uma indústria de componentes no País.
As importações de todos os segmentos associados à Abinee – automação industrial; equipamentos industriais; geração, transmissão e distribuição de energia elétrica; informática; material de instalação, utilidades domésticas; além de telecomunicações e de componentes -chegaram a US$ 8,4 bilhões nos primeiros nove meses do ano, um crescimento de 17,5% em relação a 1999.
As exportações no período foram de US$ 3,1 bilhões, com expansão de US$ 44,7%. As exportações caíram 13% em setembro em comparação com o mês anterior, mas tiveram incremento de 31% em relação a 1999. As importações em setembro foram 2,5% menores do que no mês anterior, mas 26% maiores do que no mesmo mês do ano passado.
As projeções da Abinee são que as exportações dos segmentos associados somarão US$ 4,6 bilhões este ano e as importações, US$ 11,4 bilhões, resultando num déficit de US$ 6,8 billhões. No ano passado, o déficit foi de US$ 6,7 bilhões. Nos nove primeiros meses deste ano, o déficit acumulado foi de US$ 5,3 bilhões, sendo que no mesmo período de 1999 havia sido de US$ 5 bilhões. As exportações este ano devem crescer 44% e as importações, 11%.

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