Exportação de equipamentos triplica
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segunda-feira, 06 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
As exportações de equipamentos de telecomunicações já cresceram três vezes nos primeiros nove meses do ano em relação ao mesmo período de 1999, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O índice de nacionalização dos produtos continua aumentando, mas em decorrência do grande volume de produtos exportados principalmente celulares e estações rádio-base (ERBs) a importação de componentes também foi alavancada.
O segmento de telecomunicações exportou US$ 816 milhões de janeiro a setembro, sendo US$ 506 milhões em celulares e US$ 111 milhões em ERBs. No período de nove meses, as exportações de celulares cresceram 542% e as de ERBs, 435%.
Considerando apenas setembro, as exportações de equipamentos de telecomunicações foram de US$ 91,6 milhões, um crescimento de 131% em relação ao mesmo mês do ano passado. As exportações de celulares em setembro (US$ 48 milhões) caíram, no entanto, pela metade em relação a agosto (US$ 96 milhões).
As importações de celulares, em compensação, estão quase zeradas apenas US$ 7 milhões nos primeiros nove meses, contra US$ 129 milhões no mesmo período de 1999. As importações de ERBs, parte da infra-estrutura da telefonia celular, também caíram, somando US$ 30 milhões de janeiro a setembro ou 86% menos do que os US$ 212 milhões do mesmo período no ano passado.
A relação importação/exportação de equipamentos de telecomunicações está melhorando: era de 2,4 em setembro do ano passado isto é, a cada R$ 2,4 importados se exportava um real e chegou a 1,5 há dois meses. Atualmente, para cada real importado em peças e partes para telecomunicações, são exportados R$ 850 sendo que no ano passado essa relação era de R$ 267, o que mostra um índice maior de nacionalização.
As importações de peças e partes para telecomunicações somaram US$ 141,5 milhões em setembro, 44,2% mais do que no mesmo mês do ano passado. No período de nove meses, essas importações caíram 2,1%.
Por outro lado, a expansão fantástica das vendas externas de celulares, principal produto da pauta de exportações da Abinee, levou a um incremento de 40,8% nas importações de componentes nos primeiros nove meses deste ano em relação a 1999, somando US$ 4,8 bilhões.
Apenas em setembro as importações de US$ 638,4 milhões em componentes foram 35,9% maiores do que no mesmo mês do ano passado. As importações de semicondutores somaram US$ 1,4 bilhão de janeiro a setembro, um crescimento acumulado de 62%.
A perspectiva de uma expansão ainda maior nas exportações de celulares, com a produção local de aparelhos da tecnologia GSM para atender as bandas C, D e E, preocupa o governo, que pretende atrelar financiamentos à criação de uma indústria de componentes no País.
As importações de todos os segmentos associados à Abinee automação industrial; equipamentos industriais; geração, transmissão e distribuição de energia elétrica; informática; material de instalação, utilidades domésticas; além de telecomunicações e de componentes -chegaram a US$ 8,4 bilhões nos primeiros nove meses do ano, um crescimento de 17,5% em relação a 1999.
As exportações no período foram de US$ 3,1 bilhões, com expansão de US$ 44,7%. As exportações caíram 13% em setembro em comparação com o mês anterior, mas tiveram incremento de 31% em relação a 1999. As importações em setembro foram 2,5% menores do que no mês anterior, mas 26% maiores do que no mesmo mês do ano passado.
As projeções da Abinee são que as exportações dos segmentos associados somarão US$ 4,6 bilhões este ano e as importações, US$ 11,4 bilhões, resultando num déficit de US$ 6,8 billhões. No ano passado, o déficit foi de US$ 6,7 bilhões. Nos nove primeiros meses deste ano, o déficit acumulado foi de US$ 5,3 bilhões, sendo que no mesmo período de 1999 havia sido de US$ 5 bilhões. As exportações este ano devem crescer 44% e as importações, 11%.


