As compras de carne brasileira pela Rússia, principalmente a suína, voltaram a pesar na balança comercial do País. A alta tem relação direta com a reabilitação para exportação para os russos de dezenas de frigoríficos por todo território nacional. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entre janeiro e setembro, a exportação de carne suína para a Rússia totalizou 129,4 mil toneladas, um incremento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, o aumento é ainda mais significativo: são US$ 562,5 milhões nos nove primeiro meses do ano, uma elevação de 80,9%.
No Paraná, depois de muita expectativa em relação ao retorno da comercialização para os russos, o mês de setembro significou um recomeço para as negociações. Foi exportado um volume de 347 toneladas, o que representa 1,1% das 31,8 mil toneladas enviadas para outros países entre janeiro e setembro. No Estado, o volume total de exportações é 4,4% maior do que no ano passado. No País, as exportações de carne suína retraíram 7%, de 389,2 mil toneladas para 362,1 mil toneladas, entre janeiro e setembro.
"Se o ritmo das exportações para a Rússia continuarem nos próximos meses, o país logo voltará a ser o primeiro da lista no Estado, como já acontece no restante do Brasil, cuja representatividade atual na compra de carne suína pelos russos fica na casa dos 35%", explica o técnico do Deral especializado em suinocultura, Edmar Gervásio.
Os números nacionais ainda estão negativos – mesmo com o ânimo da Rússia em adquirir a carne suína brasileira – porque outros países retraíram as compras neste ano. Hong Kong, por exemplo, segundo maior comprador nacional, reduziu as aquisições em 10%. Já outros países, como Argentina e Ucrânia, menos representativos, diminuíram as importações em 44% e 92%, respectivamente. "Em nenhum desses casos foram restrições específicas, mas acredito num desajuste comercial natural. Enquanto alguns mercados fecharam, o da Rússia abriu e acredito que o mercado nacional irá fechar as exportações com números similares aos do ano passado", pontua Gervásio.
No Paraná, a situação dos suinocultores é muito mais interessante frente ao mercado externo. Os principais compradores do Estado são atualmente Hong Kong, Uruguai e Cingapura, que representam 77% do volume total exportado até agora. "O incremento de hoje está ligado às compras que foram acontecendo desde o ano passado, como a Argentina, que até agora comprou 255% a mais do que 2013, a Angola, com incremento de 137% e o Uruguai, com alta de 54%. Agora, com a entrada da Rússia, que nesse último trimestre pode fechar com compras entre mil e duas mil toneladas, a expectativa é que as exportações fechem no Estado com alta de até 15%", complementa o técnico do Deral.

Imagem ilustrativa da imagem Exportação de carne suína pode crescer 15% no PR
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