Exportação de carne suína para Argentina cai 85%
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
Mesmo com as medidas restritivas adotadas pela Argentina desde o início de fevereiro - que reduziram em 85% o volume da exportação de carne suína para o país vizinho -, as transações brasileiras tiveram incremento de 1,37% no acumulado de 2012, em relação aos dois primeiros meses de 2011. No período, o Brasil exportou 74.882 toneladas, diante das 73.869 t comercializadas em janeiro e fevereiro do ano passado. O valor obtido com as vendas, no entanto, caiu 0,65%, atingindo US$ 192,35 milhões, ante US$ 193,61 milhões nos dois primeiros meses de 2011.
Em fevereiro, as vendas externas de carne suína caíram 4,95% em volume, o equivalente a 37.126 t, e 5,02% em receita, resultando em uma redução de US$ 95,53 milhões na comparação com fevereiro de 2011. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados e Economia Aplicada da Esalq/USP (Cepea), se comparada às receitas de meses anteriores, a de fevereiro deste ano é a menor desde julho de 2011.
As restrições adotadas pelo governo argentino resultaram em uma queda de 478 toneladas nas exportações e de 84,16% em receita, o equivalente a US$ 1,51 milhão no mês passado. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, afirma que o Brasil está negociando com as autoridades argentinas e russas para buscar a retomada das transações. ''A Rússia já está voltando aos poucos a importar carne suína brasileira e a Argentina deve retornar também. Mas, além disso, vamos continuar buscando a abertura de novos mercados'', ressalta. Em 2011, o Brasil exportou cerca de US$ 130 milhões de carne suína para a Argentina.
Em fevereiro deste ano, a Rússia passou a ocupar a terceira posição no ranking de países que importam o produto nacional. Em janeiro, o país do leste europeu ocupava o sexto lugar. A melhora no ranking é resultado do aumento do número de frigoríficos habilitados à exportação para a Rússia, que chegou a quatro unidades no início de março. O mercado russo era o maior comprador brasileiro até junho de 2011, quando um embargo suspendeu a exportação a partir de frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. No acumulado de 2012, as vendas para a Rússia caíram 73,04% em toneladas e 72,08% em receita, em comparação ao mesmo período de 2011.
A produção nacional está migrando para novos centros consumidores. Respondendo por 33% das exportações no ano, Hong Kong permanece como principal destino da carne suína brasileira. Mas o maior incremento registrado foi o da Ucrânia, cujo mercado consumidor cresceu 397,61% em volume e de 342,89% em valor.
Mercado
Dados do Secex apontam que em fevereiro o preço médio da carne para exportação foi de US$ 2,75/kg, 0,7% inferior ao de janeiro e 0,5% superior ao de fevereiro do ano passado. Para março, a expectativa de alguns agentes consultados pelo Cepea é de vendas mais firmes. No acumulado de fevereiro, o preço médio do vivo teve avanço de 0,8% no Paraná.
Pedro de Camargo Neto explica que o setor enfrenta um momento de crise. ''O início do ano é uma época complicada para o mercado interno e a situação está difícil para os produtores'', revela. Segundo ele, a redução das exportações resulta em maior volume de mercadoria no País, o que pressiona os preços.



