Exportação de carne do Paraná vive impasse
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quarta-feira, 02 de julho de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Produtores, empresas certificadoras e órgãos públicos divergem se o estado do Paraná vai ter capacidade para atender à demanda de exportações de carne bovina para a União Européia (UE) depois do dia 15 de julho. O dia marca o fim do prazo estipulado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) para que todos os animais destinados à UE sejam rastreados, no mímino, 40 dias antes do abate, de acordo com as regras do Sistema Brasileiro de Identificação de animais de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).
De acordo com informações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná, os criadores de gado devem ter plenas condições de atender a essa demanda, tendo em vista que a UE, segunda a secretaria, não importa grandes volumes da carne paranaense. ''Os estados mais afetados com a fim do prazo devem ser Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás'', afirma Felisberto Queiróz Baptista, diretor de defesa agropecuária da secretaria.
A secretaria, único orgão público do País certificado pelo Mapa para o Sisbov, deve lançar seu sistema de rastreabilidade amanhã, em Guarapuava. O sistema vai utilizar brincos de identificação e, segundo Baptista, deve poupar tempo para os produtores, pois as Guias de Trânsito Animal, que só podem ser emitidas pelo órgão, serão atualizadas em tempo real, de acordo com a identificação de cada animal.
As informações da Secretaria, no entanto, divergem dos dados divulgados pelo Sindicato dos Produtores de Carne do Paraná (Sindicarne). Segundo Gustavo Fanaya, economista da entidade, 80% da produção destinada à exportação do Estado são comprados pela UE. ''Sabemos até que os produtores estão aguardando com ansiedade o lançamento do sistema de rastreabilidade da secretaria. Espero realmente que possamos atender a essa demanda''.
Segundo Fanaya, a possibilidade de perda de mercados por produtores e frigoríficos do Paraná deve acarretar uma corrida por sistemas de identificação nas próximas duas semanas. O economista explica que a Cota Hilton, uma espécie de estímulo aos exportadores, pode ser retirada caso as metas de exportação não sejam cumpridas. ''Um quilo a menos no volume de exportação basta para que a UE retire o benefício de quem não cumprir as metas. Isso pode representar até a quebra de um frigorífico''.
Por enquanto, no Paraná, somente uma empresa está certifica pelo Mapa para rastrear animais. É o Instituto Genesis, de Londrina. ''A procura por nosso sistema de identificação aumentou 20% depois do anúncio do prazo pelo Mapa'', informa Henrique Victorelli Neto, presidente da empresa. Segundo ele, o instituto já identificou e rastreou mais de um milhão de animais em todo o País, sendo que 20% só no Paraná.
Victorelli não acredita que o Estado tenha condições de suprir as necessidades de exportação para a UE após o dia 15 de julho. ''A quantidade de animais rastreados ainda é insuficiente. Mas também acho que a produção deve se normalizar em um curto espaço de tempo'', diz.


