As exportações brasileiras de carnes (bovinos, suínos e frango) deverão alcançar neste ano cerca de US$ 2,3 bilhões caso se confirmem as projeções que estão sendo feitas pelo Ministério da Agricultura com base em dados do governo e informações prestadas pelo setor privado. Este valor, segundo o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, informou à Agência Estado, representará um incremento de 21% sobre o ano passado, quando foi exportado US$ 1,8 bilhão.
‘‘O Brasil está ampliando mercados, especialmente para o leste europeu, e também está substituindo fornecedores’’, afirmou o ministro. Do total previsto para este ano, US$ 1 bilhão virá com as exportações de carne bovina, US$ 1,1 bilhão com as vendas de frango e US$ 270 milhões com as exportações de carne suína.
Dados repassados ontem pela Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (Abef) ao Ministério da Agricultura indicam que somente nos primeiros 18 dias deste mês houve um aumento de 27% nas vendas externas de frango em relação a 30 dias do mesmo mês no ano passado. Foram exportadas 83 mil toneladas do dia primeiro de março ao dia 18, o que equivale a US$ 85 milhões (40% a mais que março de 2000).
Também houve uma melhora nos preços do frango que, segundo a Abef, passaram de US$ 938 a tonelada para US$ 997 a tonelada na comparação entre este ano e o ano passado. Estes dados permitem a entidade projetar o total de US$ 1,1 bilhão para 2001, contra os US$ 820 milhões obtidos no ano passado. Segundo o ministro Pratini, os preços do fango subiram 37% nos dois primeiros meses deste ano em relação a igual período de 2000. O principal importador de frango continua sendo a Arábia Saudita, ao lado da Alemanha e do Japão, conforme indicam dados referentes a janeiro e fevereiro deste ano.
Suínos As vendas externas de carne suína deverão sair dos US$ 172 milhões obtidos no ano passado para US$ 270 milhões este ano. Em 2000 foram exportadas 128 mil toneladas de carne de porco. Para este ano, a previsão é de que sejam vendidas 180 mil toneladas do produto. Os principais compradores são a Rússia, a Argentina e Hong Kong. Pratini de Moraes lembrou que desde o final da semana passado dois técnicos russos estão no Brasil visitando frigoríficos de carne suína e também de bovina. ‘‘Os russos não só querem comprar mais carne de porco, como também querem comprar carne bovina’’, ressaltou.
O ministro disse que a expansão da venda de carnes brasileiras deve-se, em parte, à ocorrência de BSE (sigla em inglês para encefalopatia espongiforme bovina) ou doença da vaca louca, na Europa, e ao trabalho que o governo e empresários vêm fazendo para conquistar novos mercados.
‘‘Devido à BSE estamos aproveitando o mercado que era atendido pelos países da Europa Ocidental’’, disse. Entre esses mercados, citou a Bulgária, República Tcheca, Irã, Israel e Egito. O Brasil também poderá se beneficiar da crise de aftosa que atinge a Argentina e os países da Europa. Boa parte dos países da União Européia comprava carne bovina argentina, mas essas importações foram suspensas na semana passada por causa da aftosa.
Pratini também informou que a partir de maio deverá ter início a campanha que irá promover a carne brasileira no exterior.

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