Exportação de carne bovina será recorde
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quinta-feira, 17 de novembro de 2005
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - As exportações de carne bovina serão recorde em 2005, com receita cambial de US$ 3 bilhões, apesar da febre aftosa. Foi o que garantiu ontem o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. ''As exportações vão ser recorde mesmo com aftosa'', afirmou. ''Sem a doença, os embarques poderiam chegar a US$ 3,2 bilhões. Os embarques vão crescer 30% em relação a 2004, e nada acima disso.'' No ano passado, os embarques renderam US$ 2,5 bilhões.
Dados divulgados na segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que a média diária de exportações de carne tiveram uma queda de 9,7% nas duas primeiras semanas de novembro, em comparação com outubro. ''Neste mês, acreditamos que haverá a recuperação dos embarques que caíram no final de outubro e no começo de novembro'', argumentou.
Nogueira explicou que está ocorrendo uma reorganização das exportações, ou seja, Estados que estão impedidos de exportar (como é o caso de Mato Grosso do Sul) estão direcionando as exportações de carne bovina para o mercado interno. Enquanto isso, os demais Estados estão suprindo a demanda de exportação.
Desde o início da crise da aftosa, 49 países decretaram embargo à carne brasileira. No entanto, há países em que a restrição é branda. É o caso da Rússia, principal cliente do Brasil, que só suspendeu as compras de carne de Mato Grosso do Sul. Por outro lado, a União Européia fechou seu mercado à carne de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
Para o representante dos pecuaristas, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, deveria negociar, na Europa, a reabertura do mercado europeu à carne bovina brasileira. A importância econômica desse mercado para o produto nacional deveria levar o ministro a liderar uma missão com essa finalidade, avaliou.
Para Nogueira, além do ajuste interno das empresas exportadoras, o Brasil mantém o ritmo de exportações por causa dos preços de venda da carne nacional no mercado externo. Segundo ele, o preço do produto brasileiro é competitivo e não há outros países com capacidade de suprir a oferta do País, tanto em valores como em quantidade.
Números da CNA mostram que, no período de 12 meses entre novembro de 2004 e outubro de 2005, as exportações de carne bovina renderam US$ 3,01 bilhões, 28,8% acima dos US$ 2,33 bilhões de novembro de 2003 a outubro de 2004. No mês passado, as exportações de carne bovina atingiram 161 mil toneladas, 7,31% abaixo do volume de 173 mil toneladas de outubro de 2004. Essas remessas renderam ao País US$ 213 milhões, 4,77% a menos que os US$ 223 milhões do mesmo mês do ano passado.
Entre janeiro e outubro, os embarques de carne bovina para a União Européia renderam US$ 573,597 milhões, contra US$ 532,985 milhões em igual período de 2004 - um crescimento de 7,6%. A Rússia aparece como principal importador em outubro. No mês passado, a Rússia comprou, sozinha, 36,4 mil toneladas de carne bovina in natura, contra 17,5 mil toneladas no mesmo mês de 2004. Em valores, os embarques renderam US$ 68 milhões no mês passado, frente US$ 27,8 milhões em outubro de 2004.


