Exportação de carne bovina deve render US$ 2 bi este ano
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - As exportações de carne bovina deverão chegar a US$ 2 bilhões este ano, um terço acima de 2003 e 160% superior a 1999. A projeção é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Segundo ele, a restrição russa ao produto, cancelada na quarta-feira, atrasou embarques, mas não vai prejudicar o movimento. ''Esse problema não vai provocar redução das exportações. Gerou atraso de embarques e de logística. Só reduziria se vários países cancelassem pedidos'', afirmou Moraes. Ele explica que o País é ''relativamente novo'' na exportação de carnes e tem de se acostumar às reações comerciais.
Pratini analisa que o embargo da Rússia, determinado por conta de um foco de febre aftosa no Pará, Estado que não é exportador de carne, é uma consequência natural do fato de o Brasil estar aumentando muito sua presença no comércio exterior. ''Isso provoca uma reação da concorrência e estão começando a surgir restrições, retaliações, interpretações de questões sanitárias equivocadas, como da Rússia. Temos de nos acostumar a isso.''
O Brasil, afirma Pratini, exportava carne cozida e enlatada desde as duas grandes guerras mundiais. Mais recentemente, houve uma inversão e o produto representa hoje um quinto da vendas externas. A carne fresca responde pelo restante. As exportações de carne bovina avançaram na metade dos anos 90. Em 1997 foram exportados US$ 400 milhões do produto, valor que chegou a US$ 774,6 milhões em 1999 e US$ 1,5 bilhão em 2004.
Pratini contesta a especulação de que a Indonésia teria embargado a carne brasileira, afirmando que o país não importa o produto, e explica que a Argentina também não compra carne do País. Ele exemplifica outros produtos que sofreram resistências comerciais, como o café solúvel, suco de laranja e até aço e aviões.
Um levantamento apresentado por Pratini mostra o avanço da agricultura nos últimos dez anos. Na comparação entre as safras 1993/04 e 2003/04, a produtividade do algodão (relação de quilos por hectares) foi a que mais cresceu: 179,2%. As demais variações foram trigo (60,7%), milho (50,4%), arroz (45,6%), feijão (43,7%) e soja (25,6%).


