Exportação de café cai 27% em julho
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

No mês que marca o início da safra 2016/17, o Brasil exportou 2,077 milhões de sacas de 60 quilos, volume 27,1% inferior aos 2,847 milhões do mesmo período de 2015. Conforme o Informe Estatístico do Café divulgado ontem pela Embrapa Café, a receita no período foi de US$ 323,0 milhões, queda de 29,9% ante os US$ 460,9 milhões do mês no ano passado. O recuo da cotação do dólar, estoques menores e as especulações acerca do clima neste inverno brasileiro fizeram com que os produtores segurassem mais os estoques, dizem especialistas.
Desde janeiro, as exportações de café diminuíram 25,1% em volume e 10,7% em valores, na comparação com os sete primeiros meses de 2015. Foram embarcadas 18,3 milhões de sacas, que significaram a entrada de US$ 2,7 bilhões no País. No ano, a expectativa é de aumento de 14,9% na produção nacional, de 43,2 milhões de sacas no ano passado para 49,6 milhões, de acordo com o informe.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que os estoques estavam em 13,6 milhões de sacas no último dia 31 de março, dos quais 1,1 milhão de conilon e 12,5 milhões de arábica. A quantidade foi considerada como mínimo necessário para suprir a demanda do primeiro semestre, de 4,2 milhões de sacas ao mês. Isso porque houve quebra de safra do conilon devido a problemas climáticos e atraso na colheita do arábica.
O Brasil é o maior produtor da commodity, com 30,1% do mercado em 2015, mais do que a soma da participação do segundo colocado Vietnã (19,2%) e do terceiro Colômbia (9,4%). Por isso, são justamente as previsões de maior produção na safra nacional que fazem com que as cotações internacionais diminuam, explica o professor de economia rural Eugenio Stefanelo, da FAE e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). "Outro fator é o câmbio, já que o dólar foi a quase R$ 4,20 e agora está em R$ 3,13, o que impacta no valor em reais que os exportadores recebem e gera expectativa de ter uma rentabilidade maior no futuro", cita.
Com menor oferta do que em outros anos, os preços médios do produto exportado subiram em julho. Depois de estabilizados em torno de US$ 147 para o equivalente em saca, foram a US$ 156 no mês passado, segundo a Conab. Isso devido aos preços no mercado interno e externo no período, que fizeram com que o governo federal liberasse a companhia para vender estoques a pedido das indústrias, conta Stefanelo. "Estamos com um estoque normal, dentro da política de preço mínimo", diz. "Tivemos uma alta do preço em julho porque o clima foi desfavorável na Colômbia e no Vietnã, nossos maiores concorrentes", completa.
Corretor de café em Londrina, Marcos Aurélio Bacceti afirma que os exportadores têm trabalhado em cima de expectativas, que são afetadas pelo inverno mais rigoroso no Brasil neste ano. "Se houver uma geada mais severa, vai comprometer uma safra e o produtor tem de trabalhar dois anos para recuperar, então esse movimento de segurar a produção existe", diz. Apesar de o Paraná já não ser o maior fornecedor de café do País como no passado, ele diz que o mercado regional ainda apresenta reflexos. "Fica essa leitura sobre o clima aqui, ainda que a pressão seja pequena nos números finais, porque o Paraná tem foco maior em um café diferenciado."
NÚMEROS PRÓXIMOS
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apresentou ontem números pouco diferentes do informe da Embrapa. As exportações no País ficaram em 1,908 milhões de sacas em julho, com receita cambial de US$ 297,2 milhões. De janeiro a julho, foram 18,1 milhões de sacas embarcadas, que significaram US$ 2,7 bilhões. "O fluxo de entrada da nova safra no mercado foi mais lento do que o previsto e os estoques estão baixos, o que acabou impactando nas exportações", afirma o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, em nota.


