As exportações de café do Brasil registraram queda para os principais mercados importadores no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Para os Estados Unidos, o tombo foi maior, recuo de 36,6% em valor e de 36,2% em volume entre janeiro e junho de 2026, comparando com os mesmos meses de 2025. Para a Europa, o maior comprador do café brasileiro, a queda foi mais suave, de 9,8% em valor e 10,8% em volume. Os dados sobre o café não torrado, chamado de café verde, são do Comex Stat, plataforma oficial de estatísticas de comércio exterior do país.

No primeiro semestre deste ano, a Alemanha superou os Estados Unidos na importação do café brasileiro em volume. O país europeu, maior consumidor do produto na Europa, comprou 127,3 mil toneladas, enquanto o país norte-americano adquiriu 115,4 mil toneladas. A Europa importou 556,8 mil toneladas de café brasileiro entre janeiro e junho de 2026. Nos seis primeiros meses do ano passado, o Brasil vendeu 623,9 mil toneladas de café para a Europa, 181 mil toneladas para os Estados Unidos e 154,8 mil toneladas para a Alemanha.

Em valor, a Europa gastou nos seis primeiros meses deste ano US$ 3,7 bilhões com o café brasileiro, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo período do ano passado. As exportações para os Estados Unidos somaram US$ 760,9 milhões no primeiro semestre deste ano e US$ 1,2 no do ano passado. A Alemanha pagou US$ 843,4 milhões este ano e US$ 998 milhões no ano passado, de janeiro a junho. Vale lembrar que o café brasileiro permanece de fora das tarifas de importação anunciadas pelo governo norte-americano este mês, respectivamente de 25% e 12,5%.

“Os números mostram que a queda das exportações não é resultado de perda de competitividade do café brasileiro, mas de um ajuste global entre oferta, estoques e preços. Em um cenário de menor disponibilidade de arábica e maior volatilidade internacional, garantir produtividade, sanidade e regularidade da safra passa a ser um fator estratégico para sustentar a presença do Brasil nos principais mercados consumidores”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.

A redução das vendas de café para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano ocorreu por uma combinação de vários fatores de oferta e demanda. Em 2024 e 2025, o Brasil exportou volumes elevados de café para o país norte-americano, que formou estoques de segurança. Neste ano, o mercado dos EUA entrou em um ciclo de desestocagem, diminuindo o ritmo de compras.

A menor disponibilidade do café arábica na safra 2025/26, afetada por períodos de seca e calor em regiões produtoras, também influenciou o recuo das exportações, assim como movimentos especulativos na Bolsa de Nova York, que derrubaram as cotações internacionais do café arábica, fazendo com que os compradores dos EUA adiassem embarques à espera de preços ainda menores.

Na Europa, a retração foi mais moderada porque o bloco continua sendo o principal destino do café brasileiro, com relações comerciais consolidadas e contratos de longo prazo. Embora a menor oferta brasileira também tenha afetado a região, o impacto foi mais limitado.

Próximos meses

Para os próximos meses, o mercado internacional espera uma recuperação gradual das exportações brasileiras, condicionada principalmente ao comportamento da produção nacional. Se a próxima safra confirmar maior oferta, a tendência é de aumento dos embarques e de recomposição dos estoques dos principais importadores. “O Brasil reúne condições para retomar e manter sua trajetória de crescimento, desde que mantenha regularidade de oferta, qualidade e previsibilidade para atender a um mercado internacional cada vez mais exigente”, aponta o head da Ascenza Brasil.

Para os Estados Unidos, a expectativa é de retomada mais intensa dos volumes, justamente porque a base de comparação de 2026 foi muito baixa. Na União Europeia, a tendência é de crescimento mais gradual, uma vez que o bloco manteve um fluxo de compras relativamente estável mesmo durante o período de menor oferta.

Ao produtor, cabe investir em produtividade, renovação das lavouras, manejo para reduzir os impactos climáticos, como irrigação quando necessário e viável, conservação do solo e uso de cultivares mais resistentes. Certificações socioambientais e rastreabilidade são indispensáveis. O cafeicultor deve estar atento à produção de cafés com maior qualidade e maior valor agregado, ao investimento em eficiência pós-colheita, ao uso de tecnologias aplicadas à lavoura e ao gerenciamento de riscos e proteção de preços. Cooperativas e associações precisam se fortalecer para ampliar o acesso ao mercado externo.

"Em um cenário de maior variabilidade climática, produtividade deixa de depender apenas do potencial da lavoura e passa a ser resultado da qualidade do manejo. Investir em proteção fitossanitária, monitoramento, tecnologias e boas práticas agronômicas é fundamental para preservar o potencial produtivo, reduzir perdas e garantir uma oferta consistente ao mercado internacional”, afirma Centurion.

Multinacional referência nas soluções pós-patente, a Ascenza atua na proteção de culturas desde 1965 com o objetivo de fornecer as melhores alternativas aos clientes, através de uma estreita relação com distribuidores, agricultores e técnicos, com a missão de ajudar a alimentar a população mundial crescente.

Com assessoria de imprensa

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