Exportação de açúcar bate recorde no semestre
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domingo, 19 de julho de 2009
Andrea Vialli<br> Agência Estado 
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Arquivo FOLHA
Tendo a cana como única matéria-prima, as usinas adaptam a produção ao sabor do mercado
São Paulo - Enquanto a maior parte das commodities exportadas pelo Brasil perdeu valor no primeiro semestre de 2009, as exportações de açúcar bateram recorde e responderam por 22% do superávit da balança comercial no período, que totalizou US$ 13,9 bilhões. A forte demanda internacional e o câmbio favorável fizeram com que as exportações saltassem de US$ 2,07 bilhões, nos primeiros seis meses de 2008, para US$ 3,18 bilhões, de janeiro a junho deste ano, um crescimento de 53% em valor, o maior entre as principais matérias-primas da pauta de exportações do País.
Juntos, açúcar e etanol responderam por 27% do superávit da balança comercial brasileira. No entanto, em volume, as vendas de etanol ao exterior recuaram 25% em relação ao primeiro semestre de 2008. Até junho deste ano, o País exportou 1,45 bilhão de litros de etanol, contra 1, 97 bilhão de litros em igual período do ano passado.
''O momento é excepcional para o açúcar e compensa a queda nas exportações de etanol. O mais importante é que, como o Brasil não faz importação de açúcar, na prática é superávit direto para a balança brasileira'', afirma Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Os principais destinos das exportações brasileiras de açúcar foram a Rússia (1,7 milhão de toneladas, o que representa 16% do total), Índia (1,6 milhão de toneladas, 15% do total), seguidos de Bangladesh (600 mil toneladas) e Emirados Árabes Unidos e Nigéria (ambos com 500 mil toneladas cada um).
O cenário favorável para o açúcar brasileiro é fruto da queda na produção global da commodity. A Índia, que na safra 2007/2008 havia produzido 27 milhões de toneladas de açúcar, reduziu drasticamente sua produção na safra seguinte, para 14,5 milhões de toneladas. A quantidade foi insuficiente para abastecer seu grande mercado interno, que consome em torno de 22,5 milhões de toneladas. ''Rapidamente a Índia passou de exportadora a importadora, e o único país com capacidade para suprir essa demanda é o Brasil'', diz Rodrigues. A expectativa para esta safra é produzir um excedente entre 4,5 milhões e 5 milhões de toneladas de açúcar para abastecer os mercados internacionais.
Mudança de rumo
Como a indústria brasileira produz açúcar e etanol da mesma matéria-prima - a cana - as usinas conseguem adaptar a produção ao sabor do mercado, alterando a prioridade de um para outro produto. Nesta safra devem direcionar, em média, 42% da produção para o açúcar.
Entre os principais grupos do setor de açúcar e álcool, essa decisão foi tomada logo no início da atual safra 2009/2010. É o caso da Cosan, que decidiu direcionar 55% da produção para o açúcar. Este ano, a companhia vai moer 56 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 12 milhões a mais em relação à safra anterior.
A decisão da companhia, atualmente o maior grupo de açúcar e álcool do mundo, não podia ser mais acertada. ''Os preços do açúcar estão em média 45% superiores aos do etanol. O panorama é muito positivo, pois ao contrário do primeiro semestre de 2008, o câmbio está em patamar favorável ao exportador'', diz Carlos Murilo Barros de Melo, diretor comercial da Cosan.


