Exportação dá sinais de recuperação
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sábado, 04 de julho de 2009
Raquel Landim<br>Agência Estado 
São Paulo - As exportações de manufaturados interromperam a trajetória de queda provocada pela crise e apresentam os primeiros sinais de recuperação. Depois de cair 40% de setembro a maio, as exportações desses produtos cresceram 10% em junho. Os empresários relatam que os negócios fora do País foram retomados à medida que o crédito voltou, o câmbio estabilizou, e os estoques globais acumulados acabaram. Mas o nível é inferior ao de antes da crise. Em relação ao primeiro semestre de 2008, o Brasil exportou quase um terço a menos de manufaturados de janeiro a junho.
A recuperação das vendas externas de produtos de maior valor agregado é consequência do desempenho um pouco melhor das economias da América Latina e dos Estados Unidos, principais clientes da indústria brasileira. A dúvida é se a reação dos países deve se sustentar ou pode se esvaziar quando os efeitos dos pacotes fiscais adotados pelos governos terminarem.
''A queda da exportação de manufaturados estancou e pode ocorrer até uma leve recuperação, mas não é para entusiasmar'', disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, ''é um sinal de que parou de piorar'', mas os empresários têm de vender mais nos países emergentes.
Segundo o presidente da Embraer, Frederico Curado, ''os negócios começam a ser retomados, mas o mercado desceu um degrau e deve ficar nesse patamar nos próximos três anos''. A companhia reduziu em 40% a previsão de entrega de aviões comerciais, para 115 jatos.
Em junho, o Brasil exportou 154% mais aviões que em maio, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Para automóveis, a alta foi de 15%. As vendas externas de celulares e de laminados de ferro e aço também se recuperaram em junho em relação a maio, com altas de 24% e 82%. Até mesmo as exportações de calçados melhoraram (26% a mais), graças à entrada da coleção de inverno.
Mas a recuperação ocorre apenas no curto prazo. No primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2008, as exportações desses produtos tiveram quedas expressivas. O Brasil vendeu 38% menos carros, 26% menos aviões, 28% menos calçados, e 37% menos laminados de ferro e aço.
Na Ford, as exportações de veículos cresceram 20,6% em junho em relação a maio, para 5.263 unidades. No primeiro semestre, comparado com igual período de 2008, as vendas externas da montadora caíram 42%. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Ford, Rogelio Golfarb, está ocorrendo uma desova do estoque acumulado na crise, mas ainda não há sinais de recuperação consistente da demanda por carros nos países vizinhos.
Por causa da crise, as montadoras sacrificaram margens de lucro e reduziram os preços dos veículos exportados. Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas externas de veículos em unidades cresceram 15% em maio em relação a abril, mas a receita obtida avançou 4,5%.
Segundo Paulo Andrade, diretor de exportação da Marcopolo, os negócios foram reativados em maio, quando o crédito bancário voltou. Ele espera alta de 20% nas encomendas no segundo semestre ante o primeiro, mas, comparado a 2008, a exportação de ônibus vai cair 30%. O executivo ressalta que os mercados do Chile e do Peru foram os primeiros a reagir à crise. Na Argentina, as vendas seguem complicadas, enquanto na Venezuela ''o mercado está fechado'' desde 2008, por causa das restrições do governo.
Para o presidente da Motorola, Enrique Ussher, o poder de consumo melhorou na América Latina porque os preços das commodities subiram e as moedas se estabilizaram. Em junho, as exportações da Motorola cresceram 40% em relação a maio, mas, no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2008, a queda é de 50%. ''Não sei se é retomada, talvez seja estabilidade'', disse o executivo.
Em maio, em relação a janeiro, o volume exportado de aço subiu 70%, para 530 mil toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). De janeiro a maio em relação a igual período de 2008, a queda nas vendas externas é de 36,5%. ''Por causa da desova de estoques, tivemos uma melhora circunstancial, mas o mercado mundial continua muito volátil'', disse Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do IBS.


