Quanto a uma possível resistência de mercados à soja RR, Alexandre Cattelan, da Embrapa Soja, não enxerga grandes problemas. Lembra, porém, que há nichos que não aceitam a transgenia, como no caso da soja orgânica, que precisam de certiticação. Adianta, porém, que a Embrapa continuará disponibilizando materiais convencionais. ''Sempre vai existir a soja convencional, que acabará se transformando em uma mercado diferenciado.''
Nelson Costa, superintendente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), é pragmático quanto à questão de mercado: a Argentina que produz soja transgênica está tomando mercado brasileiro na União Européia. E, com base em dados da Oil World e a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), em 2002, os europeus compraram 9,59 milhões de toneladas de farelo de soja dos argentinos, volume 17% maior que os 8,21 milhões de toneladas do ano anterior, enquanto a exportação brasileira teve incremento de apenas 1,6%, comparando o embarque de 9,36 milhões de toneladas de 2002 com os 9,21 milhões de toneladas anteriores. ''Então, é preciso olhar o que está ocorrendo no momento e que invalida a informção de que a União Européia não aceita organismos geneticamente modificados.''
Costa argumentou ainda que não haverá problemas quanto à segregação, rastreabilidade e certificação que já são realizadas no Paraná há um bom tempo para a exportação de farelo de soja. Só que isso não tem sido transformado em ganho satisfatório para o produtor em vista dos gastos com o trabalho. A Cooperativa Agrária Mista Entre Rios (Agrária), de Guarapuava, demonstra que o prêmio fica entre US$ 4 e US$ 5 por tonelada, o que equivale a R$ 0,50 por saca ao produtor. Mas de acordo com dados da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o plantio de soja transgência reduz em 10% o custo de produção em relação ao cultivo convencional, considerando apenas o gasto com herbicida.

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